Que sirva como testemunho de conduta deste modesto escriba
A propósito dos episódios de ontem, creio que é meu dever escrever na primeira pessoa, e diretamente ao ex-prefeito Melki Donadon, uma vez que fomos transformados nos protagonistas principais do caso.
Meu caro “Melquisedeque, Rei de Salém”, é assim que o chamo e você me trata como “Bom Cidadão”, mostrando a elegância de não pronunciar o verdadeiro ofício daquele meu xará crucificado ao lado de Cristo. Mas, a bem da verdade, eu mesmo afirmo: Dimas era ladrão! “Bom ladrão”, segundo a tradição cristã...
Chega a ser irônico que tenhamos cunhado estas duas expressões usando personagens bíblicos justamente para demonstrar o respeito mútuo que sempre mantivemos ao longo desses seus 20 anos na política de Vilhena. Nossa relação cordial, aliás, foi fortalecida nos momentos em que você estava fora do poder e, portanto, não tinha nada a me pedir e nem eu a ganhar.
Dito isto, Melki, quero que você saiba que entendo perfeitamente sua reação, ao dar de cara com um material que julgou ultrajante para sua família. Mas sei que, do tamanho dos seus rompantes é a humildade que você demonstra ao se desculpar, como fez ontem. Sei que foi de coração...
Claro que fiquei chateado por ter minha empresa invadida por gente que parecia “possuída”, como aquele pastor aloprado, cujo nome evitarei mencionar em respeito à filha, minha colega de profissão, mas não fiz o pior: expulsar, inclusive com violência, como a lei autoriza, pessoas que me filmavam, fotografavam e me dirigiam insultos dentro do meu próprio estabelecimento, de onde tiro o sustento da família. Tudo sem ordem judicial ou autorização.
É uma pena que você tenha resolvido me culpar por um jornal sobre o qual não tenho qualquer controle, a não ser o da impressão, para a qual minha gráfica foi contratada, obedecendo a regras legais. Nestes 20 anos, no veículo que realmente comando, o jornal FOLHA DO SUL (e este site, que é sua versão eletrônica), o tratamento dispensado a você e sua família foi de respeito e justiça. Dois exemplos recentes abaixo:
Clicando aqui você percebe que tratei, desde sempre, com a maior isenção, e mesmo antes das convenções, a possível candidatura de sua esposa, Rosani Donadon, a quem sempre me dirigi respeitosamente como mulher e como mãe. Repare que jamais o protegi, como insinuam seus adversários, mas também nunca lhe persegui, como bradam seus aliados.
Sei que o momento é tenso, Melki, e compreendo perfeitamente pequenas desavenças. Mas reconheça que se você jamais usou o poder que teve para me coagir, também nunca escorei na minha influência como jornalista para lhe atacar.
Devo lembrá-lo, “Rei de Salém”, que muitos anos atrás, também imprimi um jornal que você distribuiu em todo o Estado e que acabou lhe rendendo imensos aborrecimentos. O mesmo material no qual não vi absolutamente nada de errado, a justiça considerou que foi entregue de forma irregular.
Se você argumentar que o informativo não tinha ofensas a ninguém, limitando-se a revelar as obras executadas em sua gestão, terá toda a razão. Eu testemunho que foi isso mesmo, mas tanto naquela época quanto agora, prestei o mesmo serviço.
Por fim, Melki, embora você esteja plenamente ciente disso, creio ser importante reafirmar, até para acalmar seus seguidores: não mudarei um milímetro o meu comportamento em virtude do ocorrido. E isso ficará provado logo, talvez ainda hoje, quando sair, finalmente, a decisão do TRE/RO sobre a candidatura de sua esposa.
Tenha em mente que, qualquer que venha a ser o posicionamento da Justiça Eleitoral sobre a Rosani, liberando-a ou mantendo seu indeferimento, a informação será transmitida como sempre: objetiva e imparcialmente.
Não induzo juízes e muito menos influencio eleitores, porque não creio ser esse o meu papel como comunicador, uma profissão que abracei por absoluta vocação e tento exercer com o máximo de responsabilidade. Disso você é testemunha!
Não escrevo este artigo para ajudá-lo ou prejudicá-lo, Melki. Quero que ele sirva de atestado público quanto à minha conduta: não interfiro no processo eleitoral e, assim, se for da vontade do povo (e de Deus!), o poder lhe será entregue por quem de direito, que são os eleitores de Vilhena.
No mais, lhe desejo sorte, relevo o acontecido e reafirmo minha disposição para recebê-lo sempre com a mesma cordialidade.
Um Abraço
BOM CIDADÃO