Foi por pura retaliação que cinco vereadores de Vilhena mudaram de posição e, na manhã de ontem (terça-feira,4) votaram contra a ampliação do número de vagas na Câmara. Na primeira discussão sobre o assunto, Pedro Panta (PRP), Carmozino Taxista (PSDC), Cabo João (PTB), José Garcia (DEM) e Elias Músico (PSC) e Vanderlei Graebin (PSC) apoiaram a proposta que elevava das atuais dez para quinze a quantidade de cadeiras na Casa. Na segunda e definitiva votação da matéria, todos (à exceção de Graebin, que se absteve, e Garcia, que já havia se posicionado contra) inverteram suas opiniões. Apenas Emater (PV), José Cechinel (PSC) e Jacy Alves (PMDB) mantiveram seus posicionamentos em favor da ampliação. O presidente, Marcos Cabeludo (PHS) não se manifestou (e nem precisava) em ambas as ocasiões.
A FOLHA procurou Cabo João e Carmozino para que eles explicassem o recuo e ambos admitiram que o novo posicionamento foi uma retaliação aos presidentes de pequenos partidos, que andavam dificultando a coligação de suas agremiações com as dos que concorreriam à reeleição. Os dois explicaram que, isolados, os vereadores, teoricamente mais fortes eleitoralmente, estavam ameaçados de não atingir o quociente que garantiria a permanência deles no cargo.
COMO FICA? – Na Câmara a matéria não será mais discutida. Portanto, para o Parlamento, que rejeitou a proposta de quinze assentos, o número de vagas são as mesmas dez da atual legislatura. Agora, para adequar a representação popular ao número de eleitores, a justiça deverá se pronunciar. Fontes do FOLHA DO SUL ON LINE, que lidam com promotores e juízes na cidade garantem: a tendência na Corte é manter ou até diminuir o tamanho do Legislativo. A se manter a previsão, ficam as dez cadeiras, com chance também de o número final ficar em nove cargos.
ENTENDA – A conta é do petebista Cabo João: considerando a possibilidade de serem computados 40 mil votos válidos, o quociente para que uma coligação emplaque o primeiro eleito será de 4 mil votos. “Agora quero ver se esses nanicos não se coligam”, raciocina o parlamentar, prevendo que nenhum dos pequenos partidos atingirá essa marca sozinho. A título de comparação, com 15 vereadores, seriam necessários pouco mais de 2.500 sufrágios para que a coligação conquistasse o primeiro assento. Ou seja, os que barraram o aumento das vagas também correm riscos, mas apostam que, temendo não eleger ninguém, as legendas minúsculas não terão outra saída senão abrir as portas para os favoritos.