Três anos atrás, empoleirados no mesmo palanque, o prefeito Zé Rover (PP) e o deputado Luizinho Goebel (PV) miravam no mesmo alvo: o ex-prefeito Melki Donadon que, ainda no PMDB naquela época, disputava contra o primeiro o Palácio dos Parecis. Rover foi menos incisivo, embora também tenha tentado desqualificar o oponente, mas Goebel falou barbaridades do então adversário. Resultado: ambos comemoraram abraçados, no dia 1º de janeiro de 2009, a vitória sobre um oponente que era considerado imbatível.
O tempo passou, Goebel e Rover se desentenderam, sem que se saiba ao certo até agora os motivos do rompimento, e Melki, de esconjurado por ambos, agora é cobiçado pela dupla. Isso porque, tanto o prefeito quanto o parlamentar dão como certa a impugnação da candidatura do agora petebista, que continua dizendo publicamente que conseguirá se livrar dos processos que o deixam na incômoda condição de “ficha suja”.
Do lado de Goebel, as conversas com Melki estão mais adiantadas, embora os que conhecem o ex-prefeito duvidem que ele apóie outro candidato que não seja da família. Ontem mesmo (segunda-feira, 16), Donadon compareceu a uma reunião organizada por Goebel e na qual estavam presentes outros partidos. Melki ouviu todo mundo, mas não se comprometeu com ninguém. Apesar disso, um aliado do parlamentar acredita que o acordo entre os dois sairá.
Os aliados de Rover recorrem à lógica para achar que o ex-prefeito tende a apoiar, ainda que disfarçadamente, o carrasco que lhe derrotou em 2008. O raciocínio faz sentido: “O Zé tem só mais quatro anos, enquanto o Goebel, caso vença, vai querer ficar no cargo por dois mandatos”, prega um dos futuros coordenadores da reeleição do mandatário, acrescentando que o fato de vários “ex-malquistas” estarem hoje na administração Rover conta ponto a seu favor junto ao petebista.
O apoio de Melki, que pode ser decisivo, caso ele desminta as evidências de que optará pela irmã, Raquel Donadon (PMDB), como candidata a prefeita, pode ser decisivo. Daí o esforço de Goebel e Rover para conquistá-lo, ainda que ambos evitem tocar publicamente no assunto. O deputado diz ter números atestando que a maioria dos votos do ex-mandatário iriam para sua candidatura, caso ele não possa concorrer. Rover também tem esses dados e é avalisado pelo pesquisador Dejanir Haverroth, do Irpe, instituto de pesquisas que há anos vem cravando resultados certeiros e que garante: “Dificilmente o Rover perde essa disputa”.
Autor:
Da redação
Fonte:
FS
Publicado em 17 de Abril de 2012, às 16:43