Revoltados, seis delegados do Cone Sul resolvem entregar os cargos
 
O governador Confúcio Moura (PMDB), que se não refugar estará em Vilhena neste final de semana, deve enfrentar mais um constrangimento na cidade. Em sua última visita, ele foi cobrado publicamente por agentes da Polícia Civil, que o acusavam de descumprir um acordo feito com a categoria. Lembre aqui.
 
Desta vez, Confúcio encontrará não apenas Vilhena, mas todas as cidades que dispõem de delegacias de polícia, sem condições de enfrentar a criminalidade, que aumenta a cada dia na região.
 
Nada menos do que seis delegados de Vilhena, Colorado e Cerejeiras vão entregar os cargos, passando a exercer apenas as funções para as quais foram contratados através de concurso.
 
Fora isso, caso resolva visitar as delegacias, o governador verá por si mesmo estruturas caindo aos pedaços, frota sucateada e equipamentos sem a menor condição de uso. Em Vilhena, a maior unidade do Cone Sul, e que é a regional da Polícia Civil, há seis anos não existem servidores contratados para fazer a limpeza. Entre uma investigação e outra, agentes são obrigados a preparar o próprio café que os mantém ativos.
 
A decisão dos delegados de “chutar o balde” veio após sucessivas tentativas (fracassadas) de convencer Confúcio a lhes oferecer um mínimo de estrutura para trabalhar. O ato, inclusive, é apenas a repetição do que está acontecendo em todo o Estado.
 
Não bastasse o desmonte da estrutura de segurança, o governo também humilha os delegados recusando-se a pagar pelas horas extras que eles fazem. A gestão do peemedebista só aceita quitar o salário do expediente e os plantões.
 
Acontece que o “sobreaviso”, que permite ao delegado ficar fora da DPC, mas à disposição do órgão 24 horas, podendo ser acionado por telefone a qualquer momento, não é aceito. Chega-se ao absurdo de um servidor da categoria ser obrigado a assinar um flagrante de madrugada, mas só poder receber como se tivesse atuado no horário normal de trabalho.
 
Com esta decisão, cidades da região, que contam com um único delegado (a algumas, nem mesmo um) não terão mais registrados flagrantes e medidas protetivas. Tal procedimento só poderá ser feito em Vilhena, onde o número de delegados é maior e os plantões serão mantidos. Nas demais unidades, se o titular der plantão, precisará usufruir da folga prevista em lei. E aí, durante o descanso, o serviço para.