*Luciano Breder
Parodiando o título do famoso filme, “Se meu Fusca Falasse”, eu diria que, se o meu velho fusca chorasse, eu teria chorado com ele pela vergonha que nós dois passamos. Tudo pela falta de um lacre de plástico, material ordinário que se resseca com o sol e se desprende da placa, sem que a gente perceba, às vezes, como foi neste meu caso. Acredito que, no “banho” que dei a ele, de presente, num fim de semana, o lacre se desprendeu com o jato d’água e eu não percebi.
Eu saía de um estabelecimento comercial na Major Amarante, a Vicom, com um pacote na mão, quando vi o meu fusquinha rodeado por alguns policiais, cumprindo o seu papel na fiscalização e multando os infratores.
Quando me aproximei, eles me pediram os documentos e os do meu velho “amigo”. Examinaram detidamente os nossos documentos e depois me perguntaram sobre o lacre. Surpreso pela falta do mesmo, que eu ainda não havia percebido, dei a explicação devida e me prontifiquei a, imediatamente, corrigir a falha providenciando novo lacre.
No entanto, as autoridades policiais disseram que o carro seria apreendido. Quando meu fusquinha ouviu isso, ele tremeu na base. Tremeu, e quase desmontou. Na sua idade, e sempre a serviço do bem, conhecido como é na cidade, a notícia foi demais para ele.
Chamaram uma viatura, que chegou dentro de minutos. Dei novamente as explicações mas, elas foram recusadas. A ordem era para irmos para o DETRAN. Pedi para passar em minha casa para entregar o material que os trabalhadores haviam me pedido que comprasse para uma obra na nossa residência, mas não me foi permitido. Perguntei então se poderia me encontrar no DETRAN dentro de uns dez minutos. Nada foi concedido. Não tive nem a credibilidade para ir àquele órgão sozinho; fomos, eu e o fusca escoltados até lá.
No trajeto, enquanto acompanhava a viatura policial, muito chateado, comecei a “conversar” com o meu velho amigo fusca. Disse a ele:
- Veja só a vergonha que estamos passando! Pelo fato de você não estar lacrado, quem está lascado agora sou eu. As pessoas que nos conhecem, não sabem que o nosso envolvimento com a polícia é tão somente pela falta de um mísero lacre.
O fusquinha parecia que entendia o que estava acontecendo, fazendo um ruído triste no motor. Creio que se o meu fusca chorasse, era o que ele estaria fazendo naquele momento. Porém, felizmente, o problema foi resolvido com as autoridades, e pudemos voltar pra casa.
Meu querido, você já passou por momentos de constrangimentos? Você já deparou com situações desagradáveis assim?
Amados irmãos e amigos, se por um problema tão insignificante eu fiquei tão aborrecido, imaginem o tamanho do sofrimento do Senhor Jesus por nós neste mundo em Seu ministério terreno! Nós sofremos, e merecemos sofrer, porque somos pecadores. Mas, e o Senhor Jesus? Que tremendo foi o Seu sofrimento, que terrível a angústia que padeceu!
Em Isaías, nós lemos sobre o Senhor Jesus como Homem de dores; que sabe o que é padecer. Que foi oprimido e humilhado como ovelha muda perante os seus tosquiadores.
O mais significativo é pensar que Ele sofreu sem merecer, injustamente, pois NUNCA PECOU.
Quanto à nós, só nos resta amá-LO cada vez mais.
Que Ele nos abençoe.
*Luciano Breder é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil
Autor:
Luciano Breder
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 29 de Novembro de 2019, às 11:38