A família da cabeleireira Leidimar Coelho Alves, de 31anos, faz vigília na porta do Hospital Regional de Vilhena, onde a jovem está hospitalizada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), desde o domingo, 26, quando ela se acidentou depois de mergulhar no rio Piracolino, em um balneário nos arredores da cidade.
Leidimar bateu a cabeça no fundo do rio e teve a coluna cervical fraturada. Depois de seis dias hospitalizada, seu quadro é instável, segundo os boletins médicos emitidos pelo próprio HR.
Mas, a família discorda da situação e reclama da direção do hospital que está, segundo os parentes, sendo omissa com relação à situação de emergência que o caso requer.“Nós já estamos conscientes de que ela não vai voltar a andar, os médicos já afirmaram isso, mas eles também disseram que se demorar muito para que a cirurgia seja realizada, ela pode também não recuperar os movimentos dos braços”, disse a irmã, Cleidinéia Coelho Matos.
Desde o acidente, Cleidinéia não foi mais trabalhar e permanece diariamente no Hospital Regional acompanhando a irmã.
A mãe de Leidimar, dona Rosa Helena Coelho Alves, que mora em Colorado do Oeste, também não arreda pé da unidade de saúde. “Só vou à casa da minha mãe para tomar banho, dormir e comer não faço bem desde o domingo”, afirmou.
Dona Rosa disse que a família teve que bancar do próprio bolso o exame de ressonância que os médicos pediram. Também foi a família que arcou com o colete ortopédico, um pedido dos médicos, que teria sido feito ainda no domingo e que somente foi repassado para aos parentes na terça-feira. O colete foi comprado e entregue ao hospital ainda na terça-feira, mas segundo a família, somente foi colocado em Leidimar no dia seguinte.
Além disso, a família esta indignada principalmente pela falta de informações oficiais por parte do hospital.“O que nós gostaríamos é que eles nos dessem informações precisas a cerca da situação da minha irmã, e principalmente sobre a cirurgia”, cobrou Cleidinéia.
De acordo com a família, o que estaria atrasando a realização da cirurgia, é a falta de quatro parafusos e uma placa, e o HR não dispõe desse material. A direção do hospital teria tentado conseguir esse material em Porto Velho, mas a informação repassada a família é que a capital também não teria tal material disponível.
Ainda assim, para estranheza da família, um encaminhamento foi emitido para que Leidimar fosse transferida para a capital. “Se não tem os parafusos e placa na capital para mandarem para Vilhena, porque transferir minha irmã para Porto Velho?”, questiona Cleidinéia.
ESPERANÇA – Embora o site tenha ouvido outras queixas e até acusações da família da cabeleireira em relação ao Regional, minutos antes desta reportagem ser concluída, uma amiga da paciente ligou para dar uma boa notícia: os materiais necessários para a cirurgia haviam sido encontrados.
O site ligou para o secretário de Saúde, Vivaldo Carneiro Gomes, que confirmou que a placa e os parafusos viriam de Porto Velho. A previsão é que os materiais cheguem à cidade até a próxima quarta-feira, quando o procedimento será executado.
OUTRO LADO - O FOLHA DO SUL ON LINE conversou, por telefone, também com o diretor do Hospital Regional, Adilson Vieira. Adilson disse que, por não ser credenciado para este tipo de cirurgia, o HR encaminha os pacientes de “alta complexidade” para a unidade-referência, que fica em Porto Velho. Mas ressalvou que tem feito o possível para atender bem a cabeleireira.
Já Vivaldo, mais aliviado por estar próximo de dar um desfecho menos doloroso ao caso, desabafou: “Entendemos a dor da família e, por isso mesmo, ainda que não sejamos credenciados, nos esforçamos para realizar aqui este tipo de cirurgia".