Sindsul considerou escandaloso o conteúdo do “grampo” que viralizou no WhatsApp
 
Estiveram na redação do FOLHA DO SUL ON LINE na manhã desta quinta-feira, 08, três representantes do Sindicato dos Servidores Municipais do Cone Sul de Rondônia (Sindsul), que falaram do embate que vem sendo travado entre a categoria e o prefeito de Vilhena, Delegado Flori (Podemos).
 
Participaram da entrevista a secretária da entidade sindical, Gislaine Soares, o ex-presidente, Wanderley Ricardo Campos, e o atual, Everaldo Ribeiro.
 
Medidas anunciadas pelo mandatário vilhenense, e consideradas prejudiciais aos servidores chegaram a motivar uma greve na educação no ano passado. Flori não recuou, o caso foi parar na justiça e os educadores tiveram que repor as aulas que não foram dadas no período da paralisação. Flori chegou a entrar com ação na justiça para que a greve fosse considerada ilegal, mas o pedido dele não foi atendido.
 
Os sindicalistas começaram questionando a reforma da Previdência Municipal (IPMV) aprovada na semana passada pelos vereadores, e que, segundo o Sindsul, traz enormes prejuízos para os servidores, espacialmente para os professores da rede municipal.
 
Everaldo explica que, pelas novas regras, muitos educadores terão que permanecer em sala de aula por alguns anos a mais para se aposentarem. Gislaine reforça que, além disso, haverá brutal perda de massa salarial, já que a reforma acabou com a integralidade e paridade dos vencimentos.
 
Um cálculo feito recentemente mostrou um exemplo prático desta perda: uma professora com salário de R$ 8 mil passará a receber R$ 4.500,00 ao se aposentar, mesmo tendo contribuído ao longo da carreira para embolsar o valor “cheio”.
 
“É ILEGAL”
Embora Flori já tenha publicado no Diário Oficial a reforma “que ele fez sem ouvir os principais atingidos”, Everaldo aponta uma série de ilegalidades contidas na matéria, e que serão questionadas na justiça.
 
A principal inconstitucionalidade, argumenta o sindsul, é o fato de a lei complementar que muda as regras de salários e aposentadorias ter sido aprovada antes de qualquer mudança na Lei Orgânica do Município. Portanto, avalia a entidade, mesmo publicada, a reforma não tem validade.
 
FALTA VOTO
Para alterar a Lei Orgânica, que é a Constituição Municipal, são necessários 09 dos 13 votos da Câmara. No momento, o prefeito conta com apenas oito. Esses parlamentares da base de Flori, inclusive, foram apelidos de “G8”, por apoiarem todas as medidas propostas pelo Delegado.
 
GRAVAÇÃO
Recentemente, uma reunião entre Flori, servidores da Saúde e o vereador Zé Duda (PSB) foi gravada e divulgada em grupos no WhatsApp. No áudio, Flori promete “melhorar” os salários dos servidores do “raio-X” da rede municipal, caso consiga alterar a Lei Orgânica.
 
O sindicato considerou escandaloso o conteúdo do “grampo”, pois ele seria uma estratégia do prefeito para levar os funcionários públicos a pressionarem a vereadora Nica Cabo João (PSC), que é representante da Saúde, a lhe dar o voto que falta. Nica faz parte da oposição ao prefeito na Câmara, e que é minoritária, mas decisiva na votação de temas importantes.
 
“Ele tem a obrigação de reajustar os salários dos servidores anualmente. Querer usar essa obrigação como moeda de troca não é apenas ilegal. Também é imoral”, finaliza a secretária, referindo-se a Flori.