Presidente da Casa chamou ex-prefeita Rosani Donadon de “incompetente”
 
O Secretário Municipal de Saúde de Vilhena, Afonso Emerick, foi convidado a dar explicações sobre a devolução, ao Ministério da Saúde, de mais de R$ 368 mil, que vieram para a construção da sede do SAMU na administração Rosani Donadon e que não foram usados dentro do período de nove meses estabelecido pela portaria do órgão federal.
 
De acordo com ele, em dezembro de 2016, foi autorizado o crédito para a licitação da obra, mas o certamente nunca aconteceu. Em agosto de 2017, segundo o secretário, foi solicitada, junto ao Ministério da Saúde a prorrogação de prazo para uso do dinheiro, o que não foi deferido e o cancelamento do convênio foi publicado em novembro. “Ontem recebemos a notificação para devolução desse valor, é irreversível e se não pagarmos imediatamente teremos que arcar com juros diários”, disse.
 
O projeto, para devolução da verba federal, enviado de última hora ao plenário da Câmara Municipal de Vilhena com um pedido de urgência, recebeu de alguns vereadores críticas pelo uso indiscriminado dos pedidos de urgências por parte do Executivo, e cobranças de respeito ao Poder Legislativo. Outros saíram em defesa do prefeito Eduardo Japonês (PV) e clima ficou tenso na última sessão do mês de fevereiro.
 
Primeiro a questionar o secretário, o vereador Samir Ali (PSDB) afirmou ser de conhecimento de todos os parlamentares, há algum tempo, a perda do recurso. “De fato, a gente tem conhecimento que já vem de outras gestões esse problema, mas o que eu tenho de questionamento é porque essa devolução só veio agora e em regime de urgência, sem que os vereadores possam se aprofundar no assunto. Essa matéria teria que ter passado pelas comissões, não passou e nós temos que votar aqui meio que no escuro. Eu não concordo de votar essa matéria hoje. O Executivo precisa ponderar o envio de matérias com pedido de urgência”, pontuou Ali, que viria depois a pedir vistas do projeto, pedido que teve apoio apenas do vereador Carlos Suchi (Podemos), e acabou rejeitado.
 
Em sua fala, o vereador Suchi disse ver, da parte do prefeito, uma falta de respeito com o Poder Legislativo. “Ele não tem nenhum respeito por esta Casa, volto a dizer. Por que não mandou esse projeto para ser analisado nas comissões? Teríamos discutido esse assunto lá, e nem precisava o senhor estar aqui”, disse, dirigindo-se ao secretário, e continuou: “Não precisa fazer todo esse lobby, bastava ter enviado o projeto para as comissões”.
 
Durante sua fala, Suchi foi advertido pelo presidente da Casa, vereador Ronildo Macedo (PV), para que se mantivesse no tema tratado.
 
A vereadora Professora Valdete Savaris (PPS) afirmou que a Câmara Municipal também teria uma parcela de culpa pela perda do recurso, que agora terá que ser devolvido. “Os vereadores que falaram têm todo o direito de falar, porém, é uma matéria bastante antiga, e nós também deixamos a desejar em não termos corrido atrás e pressionado quem era  responsável na época para que fosse efetivado. Hoje é uma perda grande para o município ter que devolver quase R$ 400 mil, mas não tem outra saída: se não devolver porque é um recurso federal e o município não vai ficar de posse de um recurso federal. Eu acredito que devemos fazer o que precisamos fazer, e não ficar atacando um ou outro porque todos nós termos culpa neste sentido ai”, disse a vereadora.
 
A fala da professora Valdete Savaris trouxe de volta ao microfone o vereador Samir Ali. “Eu tenho um grande respeito pelas senhoras, mas eu discordo veementemente das senhoras, eu me empenhei ao máximo para que o SAMU fosse uma realidade, conseguimos juntar valores de emendas impositivas dos colegas para alcançar o valor mínimo para a implantação do SAMU. De forma alguma eu sou culpado. Mesmo na época da Rosani na prefeitura, eu enviei requerimentos cobrando informações sobre o andamento do SAMU, e não temos como saber sobre prazos, isso cabe mais a secretaria. Eu não concordo que essa Casa de Leis seja culpada”, disse o vereador adiantando que votaria contrário ao projeto.
 
Samir foi além: “A gente está aqui atribuindo culpa à gestões anteriores, tá aqui todo mundo batendo palmas, mas não vejo esta gestão falando que as obras da pavimentação da 1º de Maio é de gestões anteriores,  a obra da Rondônia é de gestões anteriores; aí quando é a parte ruim, da história é de gestões anteriores. A culpa aqui não tem que ser discutida, perdeu recurso é ruim para a cidade, que não aconteça mais, vereadores. Porque se não nós vamos fechar esta Casa de Leis que dá uma despesa danada e entregar a chave para a população; porque se nós vamos ficar votando matéria no escuro, então não tem porque ficar gastando R$ 900 mil com 13 vereadores”, disse Ali antes de concluir: “Eu peço que o Executivo nomeie um líder no legislativo para que melhoremos a comunicação entre os poderes; não vamos por esse caminho porco que eu vi aqui hoje”.
 
Também o vereador Suchi voltou a se pronunciar após a fala das vereadoras e do presidente Ronildo Macedo, que também se manifestou favorável ao Executivo. “Eu não estou entendendo porque as vereadoras saíram em defesa do prefeito, nem o presidente também, porque ninguém aqui falou que essa perda de recurso foi culpa do secretário atual ou do Eduardo, o que eu estou questionando é a falta de discussão deste projeto nas comissões... é lamentável, não precisaria de todo esse circo que foi feito aqui hoje”.   
 
O presidente do Legislativo tomou a fala e se dirigiu ao vereador Suchi: “Eu não sei se o senhor não entendeu, mas o secretário disse que o ofício chegou ontem, e se chegou após as comissões não tinha como discutir, e não dá para ficar pagando juros”, disparou, antes de se dirigir ao colega Samir Ali: “Tenho muito respeito por você, mas discordo quando você fala sobre as obras de 1º de Maio e Rondônia, porque todos eles tiveram a oportunidade de fazer e não fizeram. Porque que não fizeram? Por incompetência. A Rosani teve um ano e quatro meses e essa obras não saíram do papel; o Eduardo em menos de ano fez”, declarou.
 
Ronildo disse ainda que as emendas impositivas que os vereadores haviam destinado para a complementar a verba para implantação do SAMU, precisaram ser redirecionadas para o pagamento da folha salarial dos servidores da saúde, porque a ex-perfeita Rosani Donadon, nas palavras deler, “teria preferido pagar aliados políticos quando perdeu o mandato”.
 
A referência do presidente à administração Donadon trouxe de volta ao microfone o vereador Suchi: “Presidente, hoje o senhor confirmou que é um assecla do prefeito mesmo, o senhor é um assecla do prefeito! O Senhor é correligionário dele”.
 
A discussão demorou alguns minutos, embora com palavras límpidas, polidas, mas com uma rispidez que silenciou os presentes no auditório. Até que o vereador Adilson de Oliveira tomou a palavra e encerrou a bate-boca.