Briga começou em grupo de motoristas no WhatsApp
O FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou, nesta sexta-feira, 05, a advogada Paula Haurbert Manteli, que atua na defesa do caminhoneiro Sidney Dias Costa, 39, o “Tio Patinhas”, 39 anos, que deixou baleado o colega de profissão caminhoneiro Rafael Carlos Lopes, 34 , conhecido como “Formigão”. O crime aconteceu há uma semana, e foi motivado por uma discussão sobre a morte de outro companheiro de estrada dos dois, na cidade de Cabixi. Lembre aqui.
Paula permitiu o acesso da reportagem aos áudios trocados pelos dois e outros motoristas num grupo que reúne caminhoneiros no WhatsApp. As mensagens contêm xingamentos e ameaças de ambos os lados, e mostra que “Tio Patinhas” e “Formigão”, mesmo virtualmente, se ofenderam mutuamente e trocaram insultos.
O teor do material expõe Tio Patinhas dizendo que gente como o caminhoneiro assassinado em Cabixi “tem que morrer mesmo pra aprender a respeitar os outros”. Ele se baseou na informação de que a discussão que resultou na tragédia teria sido travada quando a vítima tentou “furar a fila”, o que despertou a ira do assassino.
A advogada mostrou que, após a reação de alguns membros do grupo, o cliente dela acabou admitindo o “excesso nas palavras” e saiu da comunidade. Na despedida, antes de deixar o grupo, ele postou o seguinte áudio: “Deus abençoe a todos. Nada contra ninguém, a não ser contra o Soneca, porque ele é um trouxa e fica defendendo um cara totalmente errado”, falou, referindo-se a outro companheiro, que desabafava contra a morte do colega em Cabixi.
Após deixar o grupo, o caminhoneiro recebeu alguns áudios de Formigão em seu perfil privado. E respondeu com a mesma rispidez usada pelo outro. Numa dessas mensagens, ele disse a Tio Patinhas: “Fala onde você tá, seu bosta. Quero achar você no caminho”. A irritação se devia ao fato de que ele (Formigão) era amigo de infância de “Zói de Gato”, como era conhecido o homem morto em Cabixi.
O destinatário do áudio só o ouviu quando chegava em Vilhena, e disse onde estava. Ele iria parar no posto de combustíveis onde tudo aconteceu. Dali, pegaria a moto deixada no local e iria pra casa, pois pretendia apenas tomar banho, jantar e pegar roupas limpas, pois seguiria viagem para Porto Velho. Ele havia pegado um carregamento de grãos em Campos de Júlio (MT).
Em seu depoimento, obtido com exclusividade por este site (ACESSE AQUI, NA ÍNTEGRA), Tio Patinhas revelou um detalhe que teria evitado a morte do colega baleado por ele: das cinco balas que tinha no revólver usado, não disparou a que era explosiva. Também alegou que mirou o primeiro tiro na perna de Formigão, quando ele abriu os braços e o desafiou. Os outros dois, segundo argumentou, foram dados por ter se “descontrolado”.
ENTREGOU CELULAR
A advogada disse que seu cliente está colaborando com a investigação, e que entregou o próprio celular, para que áudios e mensagens sejam periciadas. Também deixou com a polícia a arma usada no crime.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 06 de Julho de 2019, às 11:57