O vereador José Cechinel (PSC) está em Vilhena desde 1976. Veio acompanhando os pais, agricultores, que se instalaram num assentamento do Incra em Colorado do Oeste. Disputou três eleições (duas para vereador e uma para deputado) antes de pegar um atalho para o poder: primeiro suplente de sua coligação, assumiu a vaga de Rosivaldo Paiva (PSDC), cassado por compra de votos em 2008.
Nesta semana, o parlamentar concedeu a seguinte entrevista à FOLHA DO SUL:
FS: Você não acha que pega mal defender o aumento de vereadores na Câmara de Vilhena. Não teme andar na contramão da opinião pública defendendo uma coisa dessas?
Olha, se eu tivesse medo de defender minhas convicções, largaria a vida pública. Além disso, com mais vereadores, a Câmara terá maior representatividade sem aumentar gastos. O percentual de repasses para o Parlamento continuará o mesmo e teremos mais pessoas fiscalizando os recursos aplicados em nossa cidade. E não esqueçamos: um parlamento maior é mais difícil de corromper.
FS: Se você não fosse candidato, em quem votaria para vereador este ano?
Eu sou muito exigente e com certeza votaria em alguém da classe que gera empregos na cidade. Claro que não posso citar nomes, porque alguns dos que teriam meu voto devem concorrer comigo este ano e não vou ficar fazendo propaganda de graça...
FS: Você é católico praticante e seu partido, o PSC, presidido por um pastor, tem vários candidatos evangélicos. Religião tem alguma coisa a ver com política?
Tem tudo a ver. O que não tem nada a ver é gente que se diz cristão, mas só faz besteira na política. Como católico, posso orar e interceder a Deus por você, mas não crio leis que lhe protejam. Como político, apresento propostas que beneficiam a todos, independente de credos.
FS: Na sua opinião, quem será o próximo prefeito de Vilhena?
Eu faço parte de um grupo que elegeu o atual prefeito e que tem todas as condições de repetir a façanha. Portanto, quem estiver junto com essas lideranças certamente será prefeito.
FS: Se vereador não recebesse salário, como acontece em alguns países, você toparia exercer o mandato como voluntário?
Eu toparia sem nenhum problema trabalhar sem salário, mas os gastos decorrentes da atividade deveriam ser custeados pelo poder público a quem eu estaria servindo. Sou um cidadão de poucas posses e não quero viver de política, mas seria difícil pagar para trabalhar.