Parlamentar não foi aceitou e concorre sem coligação

 

De todos os candidatos a vereador de Rondônia, ninguém está numa situação tão difícil quanto o jovem Uesnei Cleiton, conhecido como Nei (DEM), de Santa Luzia do Oeste, região da Zona da Mata do Estado. Presbítero da Assembleia de Deus e ex- motorista da Câmara do pequeno município de 12 mil habitantes, Nei exerce o primeiro mandato de vereador e concorre ao segundo.

 

O problema, no entanto, é que o jovem parlamentar ficou sem coligação e terá de tirar todos os votos necessários para cumprir a lei de coeficiente eleitoral. Ou seja, Nei terá de fazer 600 votos em Santa Luzia. Mas nas eleições de 2012, o vereador eleito mais votado do município só conseguiu 326 sufrágios. O próprio Nei tirou só 308 – e já foi considerado bem votado, pelas proporções do município.

 

A razão para Nei ter ficado sem coligação para concorrer é que ele não foi aceito por nenhum grupo político do município. Em maio de 2014, o jovem vereador escreveu artigo para um site de notícias local com o título “Votar ou não votar: eis a desgraça”, afirmando só era possível ouvir da Câmara de Santa Luzia os “aus-aus” dos vereadores.

 

No artigo, Nei dizia que se sentir estar no meio dos “cachorros” a ocupar as vagas da Câmara. Em reação ao texto, os colegas o cassaram sob acusação de falta de decoro parlamentar. O jovem vereador ficou alguns dias sem o mandato, mas a Justiça o devolveu à função, baseando a decisão na liberdade de expressão garantida por lei.

 

Agora, nestas eleições, a fatura chegou. Os colegas o rejeitaram. Mas Nei continua pedindo votos. “Me ajude. Preciso conseguir 600 votos. É uma missão quase impossível. Mas Deus dará a vitória”, diz Nei nos vídeos espalhadospelas redes sociais para eleitores do município. 

Uma explicação: o repórter deste site, autor da reportagem sobre o caso, conhece Nei pessoalmente, já que o jornalista morou em Santa Luzia até 2009.

 

 

Leia o trecho do artigo publicado pelo vereador que provocou a ira dos colegas: