Transferência do Regional para o Estado provoca divergências
Seguem em pauta a crise na saúde pública vilhenense e a famigerada visita da Comissão da Saúde da Assembleia Legislativa ao Hospital Regional Adamastor Teixeira de Oliveira, na última semana.
Na sessão de ontem (terça-feira, 03), da Câmara de Municipal de Vilhena, o vereador Célio Batista (PP) teceu críticas à forma como tudo aconteceu.
Célio disse que a visita foi fruto de um ofício protocolado por ele, em março deste ano, no gabinete do deputado Neidson Barros Soares (PMN), presidente da Comissão da Saúde da ALE. “Ao contrario do que a imprensa da capital divulgou, eu não fui lá para pedir fiscalização ou vistoria, até porque essas ações já haviam sido realizadas por técnicos do Estado. O que eu pedi foi ajuda, apoio para o Hospital Regional, que está recebendo pacientes de outras cidades para serem medicados, para atendimentos primários que são responsabilidade de cada município”, disse.
O vereador disse que nutria a expectativa de que a Comissão Parlamentar ouvisse o secretário municipal de Saúde, o diretor do HR, ouvisse os técnicos; mas nada disso aconteceu. “Essa reunião foi uma decepção. O que se ouviu foi a fala de uma comissão dizendo que está tudo bem; um secretário-adjunto afirmando que o Estado está fazendo sua parte, o que não condiz com a verdade, e nenhuma solução apontada”, pontuou.
Num aparte à pronúncia de Batista, o vereador Vanderlei Graebin (SD), disse que os deputados que vieram a Vilhena “estavam mal preparados, não conheciam a realidade do HR e não apresentaram nenhuma ação concreta para resolver ou amenizar a situação da unidade”.
Batista também foi aparteado pela vereadora Marta Moreira (PSC), que enfatizou a frustração sofrida pela população, que assim como os vereadores, tinha a expectativa de que a Comissão trouxesse uma solução para os problemas do hospital. “Foi gerada uma expectativa muito grande, que acabou não correspondida”, disse a vereadora e acrescentou, em conformidade com o colega Graebin: “Pessoas despreparadas geram reunião despreparada e o resultado, infelizmente, é lastimável”.
A vereadora socialista cristã pediu ao presidente do Legislativo Municipal, Junior Donadon (PSD), a criação de uma comissão que reúna os vereadores e prefeitos do Cone Sul para a realização de uma audiência a fim de debater soluções para o HR.
Antes de retomar sua fala, Batista ainda cedeu a palavra à vereadora Maria José da Farmácia (PSDB), que defendeu que o HR seja repassado ao Estado. “O município não pode arcar com um hospital do porte do HR, é obrigação do Governo do Estado, ele tem que arcar com isso; o município deve gerir os postos de saúde e as UPAs”, defendeu.
Ao retomar a palavra, Célio Batista assumiu posição concordante com a vereadora Maria José no tocante ao repasse da administração do HR ao Governo Estadual, e conclui afirmando que no seu entender, a comissão já veio decidida a não resolver coisa alguma. “Parece que já estava tudo planejado, tudo certinho, parece que o governo disse: vai lá e empurra com a barriga, porque nós não vamos fazer nada pelo hospital de Vilhena”.
Ao usar a tribuna, a vereadora Professora Valdete Savaris (PPS) sugeriu que os vereadores se reúnam com o secretário municipal de Saúde, Adilson Bernadino, para obter informações sobre as emendas impositivas dos vereadores aprovadas em novembro para a saúde. “Até agora nenhum processo de licitação foi aberto pelo Executivo, precisamos cobrar o porquê desses recursos ainda não terem sido usados”, disse a vereadora, que cobrou mais empenho do prefeito Zé Rover (PP).
“Eu participei de duas reuniões com representantes do sobre a saúde vilhenense e infelizmente, em ambas, o prefeito não esteve presente; assim como também não esteve na reunião com a Comissão da Saúde, quando quem devia estar lá, batendo na mesa, era justamente o nosso prefeito; ele é que deveria ter iniciado a reunião e colocado na mesa o que nós precisamos de imediato, mas infelizmente ele não estava”, lamentou.
O presidente da casa de leis, Junior Donadon, se posicionou contrário ao repasse do HR ao Governo Estadual. “Repassar o hospital para o Estado é assinar um atestado de incompetência, é assumir que a administração municipal não teve competência para manter a unidade de saúde de portas abertas”, avaliou Donadon, que defendeu a realização de audiências públicas para debater o assunto.
“Agimos desta forma com a questão do comércio, da segurança, chamando as autoridades responsáveis para o debate e cobrando delas ações concretas e deu certo, eu acredito que também com a saúde não será diferente”.