Dorcas e Luciano Breder desembarcaram na cidade em 1977
Vilhena já foi chamada de a “Capital da Fé”, por ter cerca de 40 denominações religiosas e mais de 100 templos. São religiões que vão das mais tradicionais às mais esquisitas. O alto índice de crentes chama a atenção – estima-se que 40% da população estejam divididos entre as igrejas evangélicas. As três primeiras que se instalaram no município fora a Assembléia de Deus, Batista do Centenário e Adventista do Sétimo Dia.
Em 1977, ano da emancipação de Vilhena, chegava à cidade o pastor Luciano Breder e sua esposa Dorcas. Membros da Junta das Missões da Igreja Presbiteriana do Brasil, o casal de Santo André (SP) tinha a responsabilidade de expandir a doutrina na região. E a tarefa não foi nada fácil.
No livro “Para onde, Senhor?”, pastor Luciano narra, por exemplo, os sacrifícios encontrados no trecho Cuiabá/Vilhena (ainda sem asfalto). A viagem foi feita em uma Toyota e o religioso presenciou o desespero de caminhoneiros “perdendo sua carga e seu caminhão em atoleiros monstros”.
Depois de enfrentar os “infernais mosquitos-pólvora, borrachudos, atoleiros e pântanos”, os missionários chegavam a Vilhena. “Passava da meia noite, a luz já havia se apagado. Começamos a procurar alguma coisa para comer e encontramos um barzinho iluminado por um lampião. Dirigi-me ao lavatório que havia num canto e abri a torneira. O dono do estabelecimento riu e disse que água encanada em Vilhena era luxo”, conta o pastor.
O dia seguinte amanheceu bonito. Sol claro, cheiro de selva misturado com o da madeira das construções. “Estávamos ainda descarregando a mudança, quando da casa se aproximou um burrinho puxando uma carroça com dois tambores. Era o homem que abastecia a cidade”, relembra Luciano.
Naquele tempo, havia apenas um pequeno salão da Igreja Presbiteriana do Brasil, onde se realizavam os cultos. Por causa da instabilidade da população, havia momentos em que a igreja estava cheia e pouco tempo depois todos iam embora da cidade. Mas, o pior mesmo era a perseguição que, segundo o pastor Luciano, os evangélicos sofriam. As diferenças doutrinárias sempre acabavam em insultos durante as missas.
Nestes 40 anos que está em Vilhena, o pastor Luciano Breder avalia que o progresso foi além do esperado. “Recebi visitas de pessoas de São Paulo que vieram aqui naquele tempo e agora ficam boquiabertas com o nível de desenvolvimento”. Sua igreja hoje está entre as maiores da cidade, contando com centenas de fiéis.