Ronildo Macedo enfrentou dupla, que afinou

Em entrevista recente, o presidente da Câmara de Vereadores de Vilhena, Adilson de Oliveira (PSDB), atribuiu a “notícias mentirosas” a “falta de harmonia” entre a prefeitura e o parlamento. O tucano negou que a Casa esteja cogitando instalar uma CPI para investigar eventuais ilegalidades na gestão da prefeita Rosani Donadon (PMDB).

Cerca de 15 dias atrás, o vereador recebeu um telefonema do ex-prefeito Melki Donadon (PTB), fato que ele já admitiu aos colegas. Mas disse que foi uma conversa civilizada, normal entre duas lideranças políticas. Já outras fontes ouvidas pelo site garantem: Melki tratou o parlamentar aos berros e se queixou justamente das ameaças de instalar a CPI para “extorquir” a esposa.

Seja qual for a versão verdadeira do diálogo, ele surtiu efeito sobre o vereador, que antes mantinha certa neutralidade para comandar uma Câmara “rachada” entre situação e oposição. De uma hora para outra, Adilson passou a pregar “harmonia” apresentando sinais de “rendição”.

Em suas últimas declarações, o presidente desconsiderou alguns fatos e conseguiu desmentir sua própria assessoria: em release (matéria institucional) enviado à imprensa pelo Departamento de Comunicação da Câmara, uma ação dos vereadores na Secretaria de Obras é apontada como fiscalização. Em sua fase light, o tucano diz que foi uma ação de rotina.

O vereador também não vê elementos para investigar um desvio de combustíveis na Semosp, embora a ferramenta parlamentar para isso seja exatamente uma CPI.

Mas a realidade desabou sobre o edil tucano na manhã desta segunda-feira, 28, quando ele convocou uma reunião extraordinária e os vereadores retiraram da pauta todos os projetos enviados pela prefeita para serem aprovados a toque de caixa. Ele não havia consultado seus pares sobre as matérias, que agora vão passar pelas comissões e, somente depois, seguem para o plenário. São remanejamentos de verbas pedidos por Rosani.

O próprio Adilson não considerou que, enquanto ele fala de “harmonia”, seus colegas estão sofrendo ameaças e pressões. Na semana passada, por exemplo, dois brutamontes que têm parentes lotados na prefeitura cercaram o vereador Ronildo Macedo (PV) e ameaçaram espancá-lo dentro da Câmara. A truculência gratuita foi uma tentativa de intimidação contra a postura combativa de Macedo. O vereador, que é baixinho, mostrou, segundo relatos de testemunhas ao site, que o que não lhe falta é estatura moral: mandou os “jagunços” partirem pra cima. Ambos afinaram.