Bernardino falou sobre dívida com o IPMV e “desova” de pacientes
O novo secretário municipal de Saúde, Adilson Bernardino, que assumiu a Pasta na semana passada, esteve na sessão da Câmara de Vereadores, atendendo requerimento do Legislativo, que solicitou explicações sobre a dívida com o Instituto de Previdência Municipal de Vilhena (IPMV).
Nas quase duas horas que foi inquirido, Bernardino falou sobre a dívida em questão, mas também traçou um raio-x da situação da saúde vilhenense.
A dívida
Adilson Bernardino iniciou sua fala afirmando que, ao invés de ir a sua secretaria, foi ao IPMV onde teria se reunido com a presidente da entidade, Helena Fernandes Rosa dos Reis Almeida, com o presidente do conselho, com o auditor e com o advogado do instituto, de forma que, nas palavras dele, “as informações que eu trago aqui não foram tiradas de dentro da minha secretaria, elas vêm direto do IPMV”.
De acordo Bernardino, os valores referentes ao mês de agosto estão pagos. Ele disse ainda que existe um parcelamento contraído com o IPMV, da parte do empregador, até o mês de julho deste ano. O valor deste parcelamento seria de pouco mais de R$ 878 mil. Ainda de acordo o secretário, todo o parcelamento com o IPMV já está sob a responsabilidade da Secretaria de Fazenda e vem sendo pago.
O secretário admitiu, no entanto, haver uma parcela em atraso com relação à parte do segurado e que seria referente aos meses de julho e agosto. Segundo ele, pouco mais de R$ 220 mil é valor que não pode ser parcelado. “Este já estamos encontrando recursos e uma forma para pagar o quanto antes”, garantiu.
Já da parte do empregador, de acordo com os números apresentados por Bernardino, o débito seria de pouco mais de R$ 800 mil, valores que o secretário acredita poder obter fazendo economia dentro da secretaria. “É possível, com economia, principalmente dentro do Hospital Regional, nós conseguirmos quitar esse débito da parte do empregador, que pode ser parcelado. E temos condições de fazer essa economia sem prejuízos ao usuário do SUS”, garantiu.
A demanda
Adilson Bernardino disse que o Hospital Regional de Vilhena, por estar num município-pólo, atende cerca de 30 cidades da região do Cone Sul de Rondônia e Noroeste do Mato Grosso. “O que aconteceu é que a demanda é muito grand: quanto mais se oferece, mas se procura, são pacientes de diversos municípios nessa região fronteiriça com o Mato Grosso que nos procuram, fora os de dentro do nosso Estado”, disse. A falta de investimentos nesses municípios sobrecarrega a saúde vilhenense.
Para o secretário, a saída é trabalhar com o sistema de vaga vinculada. “Quando precisamos transportar pacientes para outras cidades, nós só o fazemos quando a vaga é vinculada. Nós não podemos enviar um paciente para que ele fique na ambulância aguardando uma vaga no destino. Mas, os municípios do Cone Sul e do Mato Grosso fazem isso, ‘desovam’ seus pacientes em Vilhena”, afirmou.
De acordo com Bernardino, o Promotor de Justiça Paulo Lermen deve acionar os promotores dos municípios de Colorado do Oeste, Cerejeiras, e alguns do Mato Grosso, entre eles Comodoro, para que cada um cumpra com as suas responsabilidades. “Assim que assumi, fui convidado pelo promotor a fazer um balanço e, quando o coloquei a par da situação, ele se prontificou a nos ajudar”, disse Bernardino.
Cirurgias de alta complexidade
Outro ponto a ser revisto, de acordo com o secretário, são as cirurgias de alta complexidade. Em sua fala na Câmara, Bernardino disse que “na hora de se planejar, pensou-se alto demais e aloucou-se uma responsabilidade da qual não se daria conta depois”, disse e citou como exemplo as cirurgias de alta complexidade que chegam a custar até R$ 70 mil, e que mesmo sendo fundamental, acabam onerando a Saúde e prejudicando o atendimento nos casos mais simples. “Se um paciente precisar de uma cirurgia dessas, nós vamos ter que tirar ele para fora. Nós não temos condições, pelo menos de momento, de bancar aquilo que nós não temos dinheiro”, afirmou.