Assistente social recomenda reportagens sem detalhes

Mais um suicídio envolvendo jovem (rapaz de 21 anos) foi registrado em Vilhena na tarde desta segunda-feira, 25, e levou o FOLHA DO SUL ON LINE a mudar a postura narrativa sobre o fato: ao invés do foco no gesto de desespero, atenção para meios de prevenção e alternativas de ajuda. É a terceira vítima em menos de um mês na cidade, que deflagrou campanha recente para tentar baixar o índice alarmante de casos em pleno Setembro Amarelo.

O fato, antes mesmo de qualquer informação publicada na imprensa, já era comentado nas redes sociais e grupos de WhatsApp. Havia, inclusive, nas discussões virtuais, comentários sobre as causas e circunstância da morte, que a reportagem preferiu ignorar, por sugestão de seus leitores.

O site testou o atendimento do Centro de Valorização da Vida (CVV), entidade dedicada a dar suporte a quem busca ajuda para não se matar. E constatou a precariedade do serviço: nenhum dos dois números anunciados na página (141 e 188) funciona. Pelo chat, onde 45 pessoas aguardavam na fila (como mostra a imagem que ilustra este texto), após mais de meia hora de espera, o site desistiu do contato.

Em entrevista por telefone, o assistente social Rafael Reis, do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Vilhena disse à FOLHA que o suicídio de hoje aconteceu ao lado de sua residência. O profissional recomendou que a imprensa evite dar detalhes dos casos e cita a influência das reportagens: “Os casos recentes que tivemos foram todos por enforcamento”, revelou, explicando a conexão entre as notícias e as novas mortes.

Amanhã, justamente para tentar frear a prática na cidade, o CAPS realiza evento com especialista, que ensinarão a comunidade a prevenir os óbitos. As palestras começam às 7:30h no auditório do Sicoob/Credisul.

Para completar, o depoimento de uma mulher vilhenense que relatou o drama que vive por causa da depressão e contou o que faz para evitar o suicídio: “(DOR SILENCIOSA ) Falar de depressão parece ser muito fácil, mas conviver com a doença não é nada fácil. Primeiro você tem que aceitar que tem e não esconder de ninguém, apesar de  termos a nossa volta pessoas que mesmo com estudos, se dizem inteligentes e quando mencionada a palavra depressão. .....fulano está com depressão!  Fulana tá com frescura, falta de trabalhar, falta de Deus, isso sim.  Não sabendo que todos nós temos depressão,  convivemos com ela lado a lado, há pessoas que quando passam por uma tragédia maior a qual pode ser manifestada com mais alta a dor. Como a dor da perda. Perder um cachorro é fácil, mas perder alguém que amamos é insuperável. A vontade de ir junto, ir depois ou ir agora é enorme, porque o que dói é a ausência é saber que não mais  vou ver todos os dias.  Pastores tem depressão, missionários tem depressão, médicos tem depressão e porque são feitos de carne e osso também. Mas sabe que quando falamos em depressão logo mandam a gente para procurar psicólogo ou psiquiatra, kkkkkk . Sabe que esses grandes profissionais fazem apenas enchem VC de medicamentos o qual VC vive anos e anos vegetando achando que está se tratando. Melhor a fazer é aprender a conviver com ela, é saber se sobressair daquele momento triste, é saber que você lá na frente vai se superar. É tentar preencher esse vazio com algo que lhe traga paz, quer um exemplo um abraço de um filho muda tudo, aquele amigo que tanto quer te ajudar, deixe ele te ajudar. O isolamento, a exclusão da sociedade só fará você se sentir pior, muito pior que está agora. Isso sim leva VC a um Abismo sem volta” .