Celuta apontou descaso no atendimento do Hospital Regional
Sempre discreta ao redigir as atas das sessões, a diretora legislativa da Câmara de Vereadores de Vilhena, Vitória Celuta Bayerl, foi convidada a falar da tribuna na manhã desta terça-feira, 02. No momento em que os parlamentares discutiam os problemas da Saúde municipal, envolvida em suspeitas de corrupção, a servidora fez um desabafo emocionado.
Celuta relatou a morte do irmão, no dia 24 de janeiro deste ano, e deu detalhes do descaso sofrido pelo homem de 33 anos ao buscar atendimento no Hospital Regional. Ao dar entrada na unidade, Eder Bayerl foi diagnosticado com um resfriado, que acabou virando pneumonia.
A família acabou tendo que arcar com os exames particulares e até adquirindo medicamentos para tentar evitar a morte de Eder. Um infectologista particular também foi chamado para atendê-lo.
Celula admite que o irmão chegou a receber um “atendimento diferenciado”, mas negou relação com o cargo que ocupa, alegando que seus conhecimentos sobre legislação é que proporcionaram isso. Segundo revelou, mesmo com um orçamento anual de R$ 54 milhões, a Saúde vilhenense é de fachada: hospital e postinhos são reformados, mas o básico não funciona, segundo alega.
Convidada a se manifestar pelo presidente da Câmara, Júnior Donadon (sem partido), a servidora disse que a morte atinge a todos e, portanto, não falou apenas para expressar sua indignação em relação ao caso familiar. Explicou que a intenção era mostrar a situação das pessoas que, ao contrário dela, não dispõem de recursos para arcar com exames e profissionais que o Regional não oferece.
Após a dor da perda, a família de Celuta ainda precisou enfrentar os transtornos decorrentes da sujeira e da desorganização do necrotério, onde o corpo de Eder foi submetido a necropsia.
Ao finalizar sua fala, a diretora legislativa se enfezou a acusar a prefeitura de “brincar de fazer saúde”. Segundo ela, mesmo com os R$ 54 milhões para manter o sistema, o atendimento é o mesmo oferecido há 20 anos.