Relator de CPI diz que trabalho será concluído no prazo
A partir desta quarta-feira, 03, a Comissão Parlamentar de Inquérito que averigua denúncia de quebra de decoro parlamentar por parte dos três vereadores reeleitos no ano passado, tem um mês para concluir os trabalhos. Com a espinhosa missão de decidir sobre o fato político mais impactante do ano com relação ao Legislativo, a balança pesa a favor dos acusados, uma vez que entre os dez parlamentares que terão direito a voto, na ocasião serão necessários 9 deles para cassar Vanderlei Graebin (PSC), Carmozino Alves (PSDC) e Junior Donadon (PSD), caso o parecer do relator conclua que a situação questionada realmente ocorreu.
O relator da CPI, vereador Rafael Maziero (PSDB), informou que o procedimento encerrou a fase de instrução, e a partir de agora começam a ser colhidas as alegações finais. Depois disso, ele terá a tarefa de produzir seu relatório, que deverá ser apresentado ao Plenário em sessão especial no máximo até 03 de junho. “O prazo é bem apertado, mas garanto que o trabalho será concluído da forma correta e regimental”, garante o jovem tucano.
A sessão deverá durar, no mínimo, dez horas. Mas pode se estender muito além deste prazo. Isso porque a previsão é de que a leitura do relatório consuma mais de três horas; somado ao fato de que a defesa de cada um dos acusados terá direito à palavra por duas horas. Acrescente-se a isso o tempo de quinze minutos que cada vereador terá direito ao uso da tribuna, e serão mais 150 minutos. “O desafio será conseguir manter a atenção do povo quanto ao caso ao longo de todo este tempo, mas dada a importância do assunto, creio que teremos ampla participação popular”, prevê Maziero.
Entre os vereadores, de um modo geral, a perspectiva é favorável à cassação do trio. No entanto, se dois dos dez votantes se abstiverem ou não comparecerem à sessão, a fatura está liquidada a favor de Graebin, Carmozino e Donadon. Poucos abrem totalmente seu posicionamento, e os que fazem exigem sigilo, mas já dá pra se contar pelo menos seis votos firmes pela cassação. Sempre levando em consideração que a conclusão seja que a quebra de decoro realmente ocorreu. “Não é nada pessoal, mas politicamente falando seria um impacto negativo muito forte sobre esta legislatura, que está apenas iniciando, a manutenção do mandato desses vereadores”, disse um dos parlamentares sobre a questão.
No Executivo o caso vem sendo acompanhado com atenção, mas assessores diretos da prefeita Rosani Donadon (PMDB) garantem que ela está se mantendo neutra quanto ao desdobramento da situação. Esse fator é importante, posto que os três vereadores que podem perder o mandato são considerados aliados da prefeita, mesmo Graebin, eleito pela oposição. “Isto é assunto exclusivo da Câmara de Vereadores, e não seria certo a prefeita interferir”, asseguraram vários integrantes do staff de Rosani consultados sobre a questão.
No final das contas, se houver a manutenção do mandato de Vanderlei, Junior e Carmozino, a perspectiva é que ocorra um período de muita turbulência política e insatisfação popular. E, em caso de cassação, o outro processo do gênero poderá ser iniciado, posto que entre os suplentes que terá direito a mandato está o também vereador reeleito Marcos Cabeludo (PHS), que enfrenta na Justiça o mesmo processo que corre contra os três colegas da Legislatura passada.