“Aqui nesta Casa não cabe o Célio ou qualquer outro corrupto. Ele que vá fazer outra coisa na vida”
Numa sessão marcada por críticas ácidas, discursos indignados e palavras duríssimas, a Câmara de Vilhena adiou, por 30 dias, a conclusão de uma CPI que pode levar à cassação do vereador Célio Batista (PR). Conforme já havia antecipado o FOLHA DO SUL ON LINE, a falta de intimação ao parlamentar e a seu advogado levaria à anulação da votação. Lembre aqui.
O primeiro a abrir fogo contra Célio foi o presidente da CPI, França Silva (PV), que o acusou de fugir para não assinar a intimação, apenas adiando a degola. França, que disse lamentar a estratégia, anunciou que, tão logo o colega seja notificado, outra sessão será marcada para “resolver o assunto”. Usando a palavra por três vezes, França antecipou que, entre os membros da comissão, o voto pela punição máxima a Batista já está definido.
Relator da CPI, o vereador Rafael Maziero (PSDB), pediu desculpas pelo novo adiamento, e lembrou que precisou ler mais de 7 mil páginas do processo, explicando que a prorrogação da CPI foi necessário, sob risco de o colega acusado escapar por uma falha de procedimento. E, mesmo sem ser taxativo, deu indicativos de que votará pela cassação do companheiro.
Quem também esculachou o vereador investigado foi o novato Rael Zigue (PTB), que exerce mandato provisório, após o afastamento da titular, Valdete Savaris (PP), que ficará 90 dias fazendo tratamento da saúde. O edil interino também antecipou sua posição e disse que vota pela cassação de Célio e de Marcos Cabeludo (PHS), investigado por outra CPI e, como o primeiro, impedido pela justiça de exercer a atividade parlamentar, mas recebendo salários.
O tiroteio mais feroz foi do policial militar Carlos Suchi (Podemos). Da tribuna, ele trovejou: “Esse cidadão já deveria estar cassado. Esta legislatura da Câmara vai fazer história, extirpando o vereador investigado da vida pública. Voto sim para cassá-lo. Aqui nesta Casa não cabe o Célio ou qualquer outro corrupto. Ele que vá fazer outra coisa na vida”.
Suchi continuou argumentando que, em 30 anos na Polícia Militar, tem uma ficha de serviços impecável, e que pretende manter isso na vida pública. Também criticou o colega investigado por estar em casa recebendo R$ 6.400,00, “o mesmo salário que eu”. E arrematou citando um versículo bíblico, para dizer que, além de ser punido pela justiça terrena (“eu conheço o processo e tenho certeza disso”), Célio, que é cristão, vai enfrentar também a ira divina: “Deus vai levantar a saia e mostrar a vergonha”. A passagem está no livro do profeta Naum.
DE OLHO NA VAGA
Beneficiária pela eventual cassação de Célio, a enfermeira Neide Ikino, do PV, exercendo mandato provisoriamente no lugar de Ronildo Macedo, do mesmo partido, afastado para fazer campanha para deputado federal, também deu sua cacetada: disse que a Câmara não é lugar para “gente usando tornozeleira”, numa alusão ao fato de Batista estar sendo monitorado pelo equipamento eletrônico desde que a justiça o impediu de freqüentar a Câmara.
QUEM MANDA SOMOS NÓS
Todos os vereadores que discursaram encaminhando a cassação do investigado deixaram claro que não pretendem seguir a orientação do desembargador Oudivanil de Marins, para quem não cabe a cassação de mandato em sessão de leitura de relatório de CPI. “O Regimento Interno da Câmara é soberano e vamos segui-lo”, disparou França Silva, cujo argumento foi repetido pelos demais.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 01 de Outubro de 2018, às 18:12