Garrafas estavam sem tampas, com moscas e abelhas mortas dentro do produto
Mais de 310 garrafas de mel falsificado produzido e armazenado em condições irregulares foram apreendidas pela Polícia Judiciária Civil, na sexta-feira, 13, em investigação conduzida pela Delegacia de Pontes e Lacerda, cidade do Mato Grosso, a 250 km de Vilhena.
Dois homens que levavam o produto disseram que o mel “fake” havia sido comprado em Vilhena, para comercializar em Pontes e Lacerda foram autuados em flagrante pelo crime de adulteração ou falsificação de substância alimentícia previsto no artigo 272 do Código Penal.
Os investigadores estavam em diligências próximo à Vila Olímpica, quando realizaram a abordagem de um dos suspeitos que estava sem documentos pessoais e, por este motivo, foi acompanhado pelos policiais até o hotel em que estava hospedado.
No local, o investigado também não apresentou os documentos pessoais e nem do veículo que estava conduzindo. Questionado, o suspeito disse que é morador da cidade Vilhena e que estava na região para fazer vendas como autônomo de mel, porém alegou já ter vendido todo o produto que tinha em estoque.
Segundo o delegado Maurício Maciel Pereira Junior, o fato chamou atenção dos investigadores, uma vez que no mês de dezembro houve a apreensão de mel falsificado em uma barraca na feira de Pontes e Lacerda, ocasião em que o comerciante disse que o seu fornecedor era de Vilhena.
Durante os trabalhos, o segundo suspeito chegou ao hotel e confirmou que eles trabalhavam com a venda de mel. Em buscas, os investigadores encontraram na lavanderia do hotel uma grande quantidade de garrafas do produto especificado como “mel”. As garrafas estavam sem tampas com moscas e abelhas mortas dentro do produto.
Diante da situação, foram selecionadas quatro garrafas do estoque que foram levadas à perícia que, em análise rápida, constatou que o produto não era mel de abelha. Comprovada a irregularidade, todo estoque de 312 garrafas de mel falsificado foi apreendido e os suspeitos encaminhados para Delegacia de Pontes e Lacerda. Com eles, também foram apreendidas duas motocicletas, uma caminhonete e uma carretinha.
Interrogados pelo delegado Maurício Maciel, os suspeitos confessaram que o produto era falso e, para enganar os compradores, eles colocavam apenas uma pequena quantidade de mel de abelha na parte superior da garrafa.
“Como houve a apreensão do mesmo produto falsificado no mês de dezembro e tínhamos informações que os fornecedores eram de Vilhena, foi possível juntar as informações, fato que ajudou no esclarecimento do caso com apreensão de grande quantidade de produtos e prisão dos envolvidos”, disse o delegado.
APICULTOR LOCAL CONTESTA
Ouvido pelo FOLHA DO SUL ON LINE, um criador de abelhas de Vilhena, há 20 anos na atividade, garante que os falsificadores de mel apenas usam o nome da cidade, que é referência no segmento. Ele disse que, justamente para tentar ludibriar os clientes, os falsificadores mencionam a cidade, que é conhecida pela qualidade do mel produzido.
Segundo o entrevistado, produzir a fraude, usando apenas água e açúcar, como fizeram os criminosos presos, é possível em qualquer cidade. O produto vendido como verdadeiro pode causar sérios danos à saúde, principalmente de pessoas diabéticas.
Fotos
Autor:
Da redação
Fonte:
PJC/MT
Publicado em 16 de Março de 2020, às 11:28