O pecuarista Chico Sartori (PSDB) brigou na Justiça por muito tempo, até assumir, em março de 2002, uma cadeira no Senado da República.  Entrou no lugar deixado por Hernandes Amorim, eleito em 1994, mas acusado de crimes eleitorais. Ficou 11 meses no cargo, após tomar o assento do suplente do próprio Amorim. Tentou a reeleição, mas não conseguiu manter o mandato.
Mas o incrível na biografia do vilhenense não é a árdua luta que travou para conquistar o posto na Câmara Alta do Congresso. O que chama a atenção é que Sartori poderia, se quisesse, usufruir de um benefício divulgado esta semana pela grande imprensa.
Segundo a mídia que cobre as atividade do Congresso, qualquer cidadão que tenha exercido mandato no Senado por mais de seis meses tem direito a uma mordomia que pode ser considerada um escândalo: os beneficiários da bondade podem gastar o quanto quiserem com saúde, assim como seus dependentes.
Melhor ainda: as despesas médicas de ex e atual senadores, além de ilimitadas, não precisam de comprovação. Assim, os parlamentares, suas esposas e dependentes têm direito de a tratamentos de qualquer tipo: consultas, hospitais, exames, dentista, psicanalista, tanto no Brasil quanto no exterior.
Um dos ex-colegas de Sartori eles fez a troca de 22 coroas dentarias de uma só vez. Outro gastou R$710 mil em um só ano. Basta apresentar o recibo que é reembolsado, ninguém verifica coisa nenhuma e nem há pericia para saber se o ato medico existiu.
Ao que consta, Sartori, que apesar da idade avançada raramente adoece, usou uma única vez o benefício. O texto tentou falar com ele sobre o assunto, mas seu celular estava fora de área na manhã desta sexta-feira, dia 22.