Depois de passar perrengue estudando fora do país, os formandos em Medicina ainda têm um longo e tortuoso caminho para revalidar o diploma no Brasil. Até 2009 tinham que recorrer a provas de universidades federais sem periodicidade certa. No ano passado, o MEC e o Ministério da Saúde elaboraram um projeto-piloto de revalidação, com o objetivo de unificar o processo, mas, de 628 recém-formados inscritos, apenas dois foram aprovados no exame teórico, chegando à prova prática e à aprovação.

Mas, quem pensa que o novo método facilita tanto assim a vida dos novos médicos, está enganado. Em algumas instituições, a comissão de validação contesta até mesmo a carga horária. Com isso, além dos gastos com passagens e advogados, os formandos também são obrigados a arcar com os custos de tradução de documentos. O custo total de revalidação dos diplomas conquistados em outros países pode chegar a R$ 10 mil.

Em Vilhena há vários jovens cursando Medicina em universidades bolivianas. A maioria foi atraída pelo ensino do país vizinho por causa do preço baixo das mensalidades e do acesso fácil às salas de aulas –já que não existe exame de seleção. Mas, após a graduação, começa o calvário para os novos profissionais da saúde. Além dos gastos, muitos levam até dois anos para se habilitarem ao exercício da profissão.