“Depois que meu filho morreu, aí eles mudaram a forma de agir, aí me deram atenção”
Uma vilhenense ingressou com uma ação na justiça contra o município de Vilhena depois que ela perdeu o filho, na 37ª semana de gestação, após um atendimento no Hospital Regional. A recepcionista de 35 anos vivia a expectativa da chegada do terceiro filho.
A denunciante contou à reportagem do FOLHA DO SUL ONLINE que no dia 20 de dezembro do ano passado, ela procurou atendimento no Hospital Regional de Vilhena com fortes dores. Estava prestes a completar 37 semanas de gestão. O médico que a atendeu mandou-a para casa e orientou que ela tomasse remédio para a dor e que retornasse quando completasse as 39 semanas.
Quatro dias depois, na véspera do Natal, as dores se intensificaram e ela retornou ao Hospital Regional. Com fortes contrações, a gestante teria pedido à enfermeira que chamasse um médico, mas ouviu que aguardasse que ela seria chamada.
Conforme contou, a entrevistada chegou ao hospital por volta de 07h00 e foi atendida cerca de duas horas e meia depois. Os exames físicos, contou a mãe, apontaram que estava tudo bem com o bebê. O médico afirmou que ela não estava em trabalho de parto, e pediu a realização de um exame de cardiotocografia, que detecta a frequência cardíaca do feto e as contrações uterinas.
O tempo para a realização desse exame dura entre 20 e 30 minutos. A mãe contou que ficou na sala por mais de uma hora e meia. Ela denuncia que foi abandonada nesta sala. “O médico me abandonou na hora do exame. A enfermeira que ele colocou pra tirar foto foi atender os outros pacientes. Já era 12h00 quando o médico colocou o aparelho, e o bebê já não tinha sinais vitais. Ele usou outro aparelho sonar, e também não constava batimentos”, contou a mãe.
Ela lembra que falou ao médico, no início da consulta que a sua gravidez era de risco, mas ele não a ouviu. “Eu fiz todo o pré-natal com acompanhamento no CER e no Postinho João Luiz, nos dois locais tive um atendimento excepcional, eles me atenderam super bem. Mas, no Hospital Regional, fui tratada como um lixo. Depois que meu filho morreu, aí eles mudaram a forma de agir, aí me deram atenção. Mas, se tivessem me ouvido antes, meu filho não teria morrido”, disse a mãe, que sofreu hemorragia interna, precisou ficar internada quatro dias e voltou para casa sem o esperado filho.
Ela disse que resolveu entrar na justiça como uma forma de provocar a mudança. “Eu creio que tem que mostrar o que está acontecendo. Agora eu estou conseguindo falar. Já se passaram quatro meses que eu perdi meu bebê. Hoje, que eu consigo contar a história, o que aconteceu, eu já me senti mais aliviada. Mas, entendo que a população de Vilhena precisa saber do descaso que é aquele hospital. Aonde já se viu um hospital daquele ter apenas um médico plantonista?”, questiona.
A mãe confirmou que já deu entrada no processo e que confia na justiça.
Autor:
Rogério Perucci
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 30 de Abril de 2023, às 09:11