A assessora de imprensa Tatiana Soares, que trabalha para o deputado Natan Donadon (ex-PMDB de Rondônia), afirmou aos jornalistas que estão na porta da sede da Polícia Federal em Brasília que o deputado se entregou à polícia na manhã desta sexta-feira (28).
Os assessores da PF não confirmam a informação. A Polícia Federal afirmou que existe um acordo, mas que Donadon tem que aparecer na Superintendência do DF, o que ainda não aconteceu.
De acordo com a assessora, o deputado seguiu até o final da avenida L2 Sul, em Brasília, e se apresentou ao superintendente da PF no Distrito Federal, Marcelo Mozeli, em um ponto de ônibus. Segundo Soares, Donadon se entregou fora da sede para não se expor à mídia -- vários jornalistas estão de plantão na Superintendência da PF desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a prisão dele, na quarta-feira.
Ainda segundo a assessora, Donadon assinou termo de apresentação, não é mais considerado foragido e está sob guarda da polícia.
O acordo também envolve que o deputado terá um encontro com a família e depois disso será encaminhado ao presídio da Papuda, no DF.
De acordo com a assessora, ele não tentou fugir em nenhum momento. Ele atrasou a apresentação de ontem porque aguardava o acordo.
"Não sou bandido, não tenho porque fugir", teria dito Donadon, segundo sua assessoria.
O caso
Natan Donadon foi denunciado pelo Ministério Público de Rondônia sob acusação de, no exercício do cargo de diretor financeiro da Assembleia Legislativa, ter desviado recursos daquele legislativo por meio de simulação de contrato de publicidade que deveria ser executado pela empresa MPJ Marketing Propaganda e Jornalismo Ltda. Outras sete pessoas também foram denunciadas.
O réu chegou a renunciar ao mandato na véspera do julgamento, em 27 de outubro de 2010, mas assumiu outro logo em seguida, após a condenação. Sua defesa pediu nos recursos a nulidade do processo.
Em 2010 o STF o condenou a 13 anos e quatro meses de prisão por formação de quadrilha e peculato. Donadon é acusado de participação em desvio de cerca de R$ 8 milhões da Assembleia Legislativa de Rondônia em simulação de contratos de publicidade. Ele é o primeiro parlamentar condenado à prisão desde a Constituição de 1988.