Um assunto tem sacudido os meios políticos vilhenenses nos últimos dias e levado aliados e adversários do ex-prefeito Melki Donadon (PTB) a fazer a mesma pergunta: terá ele coragem de entrar na disputa eleitoral deste ano, mesmo já sabendo que, caso vença a peleja, não terá condições legais de assumir o cargo que ocupou por duas vezes? Outros questionamentos seguem na mesma toada: ele conseguiria ao menos registrar-se para concorrer? E o que ganharia com isso? Não calcularia o risco de ser desmoralizado de vez, caso fosse derrotado nas urnas, sem sequer a necessidade do “tapetão” para barrá-lo?
Uma dessas perguntas tem resposta e foi dada ao FOLHA DO SUL ON LINE por insuspeitos adversários de Donadon: ele tem, sim, condições de habilitar-se (ainda que provisoriamente) para as eleições deste ano. Mas, entre disputar escorado em recursos e estar apto juridicamente (e em definitivo) para o confronto vai uma grande distancia, como se verá a seguir.
Quem garante são dois advogados que, embora em lados opostos, têm o petebista como adversário em comum. O primeiro é Josafá Lopes Bezerra, ex-vereador que hoje é um dos cérebros do departamento jurídico da campanha do prefeito Zé Rover (PP). Segundo ele, basta o PTB decidir substituir o advogado César Stefanes por Melki e seu registro de candidatura pode ser pedido.
Outro que tem opinião semelhante é o ex-deputado Nilton Schramm, hoje atuando, também como advogado, na campanha do deputado Luizinho Goebel (PV) a prefeito. Schramm avalia que, em virtude dos recursos, Melki conseguiria concorrer com seu próprio nome na urna eletrônica. Sua explicação: caso seja impugnado em Vilhena, o que é quase certo, esse procedimento levaria no mínimo dez dias. Após isso, e em caso de derrota, ele poderia recorrer para o TRE e consumir outras três semanas. Ou seja, se anunciasse sua entrada no páreo um mês antes do dia da votação, Donadon chegaria em 7 de outubro podendo receber votos, ainda que sub-judice.
Outro adversário do ex-alcaide, que não descarta sua entrada na peleja é o empresário Vilson Moreira (PDT), ex-prefeito de Colorado do Oeste, que passou o cargo ao então jovem Melki no dia 1º de janeiro de 1993. Mas o pedetista avisa: “Se entrar mesmo na briga o Melki será derrotado mais uma vez pelo Rover”, prevê, já em campanha pelo progressista.
A avaliação de Schramm para a aventura de Melki faz sentido: “Quando ele perceber que seu candidato não decola, vai para o sacrifício, nem que seja para mostrar que ainda tem um bom percentual de votos na cidade”.
Josafá, no entanto, é enfático: “Ele pode até concorrer, mas na hipótese improvável de se eleger, só assume o cargo se revogarem a Lei da Ficha Limpa”.
E o que aconteceria, então, se Donadon vencesse a eleição? Segundo Schramm, depende do percentual atingido por ele: se superasse os 50% dos votos válidos, o pleito seria anulado e outra votação teria que ser marcada. Se ganhasse com um índice abaixo disso, o segundo colocado assumiria.
E o próprio Melki, o que acha disso tudo? Ele mesmo disse, ao ser confrontado com a hipótese: “Não tenho nada a declarar sobre esse assunto”, resumiu por telefone, diante da tentativa do FOLHA DO SUL ON LINE de arrancar alguma pista sobre o destino que pretende seguir. Em se tratando de Melki, tanto o silêncio quanto a eloqüência querem dizer a mesma coisa: nada. Acostumado a resolver tudo por instinto, ele pode confirmar as suspeitas e aventurar-se na arriscada jogada ou aceitar a situação e continuar na condição de coadjuvante de César Stefanes.