Ninguém admite, mas a Bancada Evangélica na Câmara pode ter sido decisiva na preservação do mandato do deputado Natan Donadon, absolvido na noite desta quarta-feira, 28, quando o plenário da Casa, em votação secreta, não conseguiu atingir os 257 votos necessários para tirar o cargo do vilhenense.
De acordo com alguns jornalistas que estavam na Câmara antes do início da sessão, o ex-prefeito Melki Donadon (PTB), irmão do deputado, teria visitado várias lideranças protestantes e pedido solidariedade ao vilhenense, batizado na Igreja Batista.
Aliado a isso, o discurso emocionado de Natan, que em várias oportunidades, nos 25 minutos que usou a tribuna para se defender, e invocou o nome de Deus, teria influenciado os “crentes”. Entre os que podem ter não só entendido a mensagem do “irmão em Cristo”, mas também trabalhado por sua absolvição, está o cacoalense Nilton Capixaba (PTB), fiel da Assembleia de Deus e ligado ao clã Donadon.
E AGORA?
Logo após a divulgação do resultado da votação, o site entrou em contato com o advogado César Stefanes, que representa Natan tanto na justiça quanto no Congresso. Ele explicou que ato do presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB – RN), de convocar o suplente do vilhenense “é ilegal”. Alves argumentou que, como preso, condenado pelo STF, o parlamentar não poderá continuar no cargo. Será substituído pelo ex-senador Amir Lando (PMDB), conforme anunciou o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB – RN).
Stefanes revelou que, caso a justiça acate a revisão criminal que será pedida, Donadon passa ao regime semi-aberto e, portanto, poderá retomar o mandato, pois terá como participar das sessões do Legislativo federal. O advogado disse que irá se reunir com a equipe jurídica que assiste Natan e, após isso, decidirá outras estratégias.