Firma teria se negado a disponibilizar médico para acompanhar a remoção do garoto
 
O FOLHA DO SUL ON LINE teve acesso ao Boletim de Ocorrência registrado na madrugada desta terça-feira, 19, na Polícia Civil de Vilhena, pela secretária municipal de Saúde, Weslaine Amorim, e a diretora do Hospital Regional, Cláudia Lucrécia de Matos Silva, contra a empresa Medicando, responsável pelo atendimento de pacientes na UPA.
 
Contratada para lidar com a demanda na unidade de saúde, a Medicando Serviços Médicos sofreu, recentemente, um bombardeio de críticas feitas por vereadores que, com base nas queixas de pacientes, denunciaram o serviço prestado (LEMBRE AQUI). Os médicos reagiram às acusações em nota enviada ao FOLHA DO SUL ON LINE (CONFIRA AQUI).
 
Ao registrar o BO, as duas denunciantes acusaram a firma terceirizada de omissão de socorro, já que a empresa não disponibilizou um médico para acompanhar um bebê de 01 ano, que estava internado na UPA e precisaria ser transferida para um leito de UTI.
 
A secretária de Saúde denunciou que, nos últimos meses de contrato, a empresa passou a não mais atender as solicitações de urgência, encaminhado os pedidos para o “setor jurídico”. Foi o que aconteceu ontem, quando a empresa negou o médico para atender a remoção do garotinho.
 
Ao entrar em contato com o dono da Medicando, Weslaine expôs o grau de urgência da situação e alertou para o risco de morte do pequeno paciente. Mesmo sendo lembrando dos termos contratuais, que preveem a disponibilização do profissional, o empresário da medicina teria mantido a exigência para que o caso passasse pelo Departamento Jurídico.
 
Ao ser avisado pela secretária de que diante os fatos de negação da prestação de serviço contratual em vigência, e por se tratar de serviços de emergência, estaria abrindo BO e tomando as providências cabíveis, o proprietário reiterou o posicionamento adotado unilateralmente de forma súbita.
 
Somente após o registro do caso na polícia, e comunicação do fato ao plantão do MP é que a empresa resolveu atender o pedido. Depois de mais de 12 horas de angústia, o garoto, que havia sido diagnosticado com um quadro de pneumonia grave e anemia pelos próprios médicos da UPA, seguiu de ambulância para Porto Velho, onde será atendido no Hospital Infantil Cosme e Damião.
 
Weslaine disse ao site que, desde que assumiu a Semus, vem adotando medidas para melhorar o serviço prestado pela Medicando, inclusive comunicando os responsáveis sobre casos de mau atendimento e repassando queixas de pacientes.
 
“Desta vez, porém, eu não tive outra alternativa, senão acionar a polícia, afinal, estava em jogo a vida de uma criança. Mas, antes, fui pessoalmente até a UPA e confirmei que o garoto foi estabilizado para viajar”, argumentou Weslaine.
 
O site está à disposição para ouvir a versão da Medicando.