Somente em 2023 foram quase 2 mil obras iniciadas na cidade, entre residenciais e comerciais
 
Levantamento feito pelo FOLHA DO SUL ON LINE mostra que Vilhena está vivendo um novo boom imobiliário com a quantidade de construções iniciadas saindo de aproximadamente 800 e agora ultrapassando as 1.800 por ano, aumentando 120% de 2018 para cá. O site conversou com especialistas da área que identificaram as principais causas para o crescimento vertiginoso da construção civil na cidade.
 
Os dados da Secretaria Municipal de Planejamento (Semplan), da Prefeitura de Vilhena, compilados pelo FOLHA, mostram que de 2014 a 2016 o setor de construção civil no município passou por queda importante no número de novas obras iniciadas por ano, saindo de 861 para 567. Porém, em 2017 uma retomada iniciou um novo ciclo que hoje já pode ser considerado um novo boom imobiliário (veja o gráfico abaixo).
 
Em 2017 foram 814 novas obras, tanto comerciais como residenciais. No ano seguinte 824 e então a escalada ganhou corpo: 895 (2019), 1.308 (2020), 1.408 (2021), 1.545 (2022) e 1.810 (2023). Importante destacar que essas informações são relativas às obras regularizadas e informadas à Prefeitura. O total estimado pode representar um número até 20% maior em todos os anos.
 
De acordo com engenheiro civil da secretaria, com quase 20 anos de experiência no setor, a pavimentação de dezenas de quilômetros de asfaltos nos últimos anos na cidade estimulou a construção e ampliação de casas, quitinetes, pontos comerciais, galpões e até mesmo indústrias. O profissional destaca ainda que o concurso público feito pela Prefeitura em dezembro de 2019 também trouxe muitos moradores de fora para cá e deu condições a outros de obterem empréstimos para construir, já que contratou centenas de profissionais desde então. A facilidade que veio com o alvará on-line, implementado em 2022, também está na conta.
 
Para o corretor de imóveis e proprietário de uma imobiliária na cidade, Raimison Areval, o desenvolvimento da educação como novos cursos e faculdades no município foi fundamental. “Nos últimos anos vimos a oferta de cursos superiores aumentar muito na cidade. As cidades no entorno passam a enviar seus jovens para estudar aqui e esses acadêmicos criam amizades por aqui, se casam, têm filhos e, naturalmente, constroem casas ou procuram casas para morar, estimulando o setor”, enfatiza.
 
Já Edenir Colatto, também corretor e empresário do ramo, normas dos últimos anos emitidas pela Prefeitura quanto às exigências de regularização de habite-se forçaram o setor a se movimentar. “Temos ainda observado nesse período uma melhora nos cuidados com a cidade, está limpa e iluminada com LED. Inclusive, digo que há uma grande mentira do IBGE em afirmar que não crescemos tanto quanto achávamos. Acredito que já passamos de 100 mil habitantes, porque a cidade está crescendo muito”, afirma.
 
A mudança na cidade pode ser vista do espaço. Através do Google Earth é notável como nos últimos 10 anos dezenas de bairros surgiram nas imediações da cidade e tantos outros foram preenchidos de imóveis. Raimison lembra que o governo federal tem parcela importante nisso. “A flexibilização do Programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ ajudou bastante esse movimento. Agora o subsídio pode chegar a até quase R$ 20 mil, com juros de 4,75% a 6%, contra até 10% de outras modalidades. A maior parte dessas construções novas na cidade são casas e a maioria dentro desse programa, já que o teto de financiamento agora é R$ 350 mil. Só a título de exemplo, a Cidade Verde Empreendimentos já disponibilizou mais de 6 mil terrenos na cidade nos últimos anos”, explicou.
 
FUTURO - Ambos concordam que a cidade tem potencial para continuar crescendo, visto que continuará exibindo características como topografia plana, localização estratégica, clima agradável, setor automotivo pesado forte e construção de grandes novos empreendimentos, como faculdades, shopping, hospitais, indústrias e semelhantes.
 
Dentro das promessas governamentais, ainda está prevista a chegada de uma ferrovia no município, vindo da cidade de Lucas do Rio Verde, a construção de prédios residenciais pelo programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ assim que a cidade alcançar 100 mil habitantes e a duplicação da BR-364.