Terminou por volta das 19:30h desta quarta-feira, 10, o julgamento do caminhoneiro Fabiano Cézar Vergutz, de 28 anos, acusado de estuprar e matar por asfixia, a própria esposa, Abla Rahhal, em abril de 2013, na casa onde os dois moravam, na Cohab, em Vilhena. O corpo de Abla foi encontrado pela filha de apenas 11 anos, pendurado numa corda, na varanda da residência.    

O julgamento durou mais de 11 horas. Na parte da manhã foram ouvidas as testemunhas, nove ao todo. E, já nesta fase, dava para notar a linha que a defesa, feita pelo advogado José Carlos Carvalho, de Brasília, usaria ao longo do julgamento: desqualificar as testemunhas de acusação, e fortalecer a tese de negativa de autoria.   

Dentre outras coisas, José Carlos Carvalho disse, em sua fala, que um dos policiais civid que investigou o caso teria tentado coagir Fabiano a assinar um “Auto de Confissão”, e pediu a absolvição do réu por falta de provas. “A promotoria não provou a autoria, a polícia não provou a autoria, porque não tem autoria, e não tem autoria por negligência e imperícia da polícia”, disparou Carvalho.

Em sua argumentação, o advogado disse ainda que ele e Fabiano teriam sido ameaçados pela família da vítima e que teria protocolado junto a diversos órgãos, inclusive na OAB de Vilhena, documento relatando tais ameaças. 

A tese sustentada por Carvalho foi s de negativa de autoria. Para a defesa, não teria sido Fabiano o autor das ações que levaram à morte de Abla, e sim outra pessoa.

A adoção desta tese começou nos depoimentos das testemunhas de defesa. Todas relataram que Abla teria uma dívida com um traficante de Porto Velho e estaria sendo ameaçada por este criminoso. Para a defesa, o assassino poderia ser este traficante, que viera cobrar a divida.   

A promotoria falou antes, e explicou aos jurados como o crime ocorreu e detalhou uma série de provas que colocavam Fabiano na cena do homicídio. O promotor João Paulo Lopes também detalhou as inconsistências e contradições nos depoimentos de Fsbiano. “Hoje, diante de vocês, senhores jurados, ele afirma que nunca disse a policial algum que entrou na casa, mas quando foi lavrado o Boletim de Ocorrência, ele disse ao PM que havia entrado na residência. Depois, quando foi ouvido pelo delegado da Polícia Civil, confessou ter dito ao policial que havia entrado em casa, mas porque estava em estado de choque”, apontou.

A Promotoria argumento ainda que, segundo consta nos laudos, Fabiano teria dito que dormiu no caminhão por causa de um desentendimento com a esposa, mas que pela manhã, antes de sair com o veículo para a empresa, por volta das 6 horas da manhã, entrou em casa e viu Abla dormindo normalmente. “Como ele a viu dormindo nesta hora se, segundo laudo pericial, Abla morreu entre 2 e 4 horas da manhã?” questionou.

Sobre estes desencontros de informações nos horários e sobre os diversos telefonemas de Fabiano para a esposa antes de viajar naquela manhã, a defesa não se pronunciou. Mas, continuou defendendo que Abla foi morta por um traficante e que condenar o marido era injusto. 

Réplicas e tréplicas reforçaram as teses do advogado e do promotor. E, depois de 11 horas, os jurados foram conduzidos à sala secreta para a votação. Minutos depois, a juíza Liliane Pegoraro Bilharva leu a sentença que condenou Fabiano pelos crimes de homicídio qualificado por crueldade, e estupro.  A pena foi de 20 anos para o homicídio qualificado e de 10 para o estupro. A condenação será cumprida em regime fechado e o réu teve negado o direito de recorrer em liberdade. A defesa vai recorrer da decisão.

 Para a família de Abla, a justiça foi feita. “É um alento, não teremos nossa filha de volta, mas acredito que a justiça foi feita hoje”, disse o pai, Ghassan Rahhal.