O número de candidatos que irá usar o sobrenome Bolsonaro nas eleições deste ano é maior do que o de postulantes que pretendem aparecer com o nome do presidente Lula nas urnas. A prática, comum em pleitos anteriores, pode ser questionada na Justiça.


O QUE ACONTECEU

Pelo menos 30 pessoas registraram candidaturas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) usando o sobrenome Bolsonaro. O número é menor do que em 2022, quando 45 candidatos levaram o nome do clã, além do ex-presidente, que concorria à reeleição. Em 2026, o candidato da família ao Planalto será Flávio Bolsonaro (PL).


Lula pode aparecer nas urnas em até 7 opções de candidatos. Há quatro anos, 15 se registraram usando o nome dele. Em 2026, nenhum deles é familiar do petista.


Os números foram levantados pelo UOL junto ao TSE, às 13h30 deste domingo. Ainda pode haver alterações, mas o prazo para registro de candidaturas terminou ontem.


Lei eleitoral regula o que pode ser usado como nome de urna. Segundo a norma, "o nome indicado pelo candidato não pode estabelecer dúvida quanto à identidade, não pode atentar contra o pudor e não pode ser ridículo ou irreverente”.


A maioria das candidaturas bolsonaristas está dentro do PL, partido do ex-presidente e de Flávio. São 22 "Bolsonaros" concorrendo pela sigla. Grande parte deles é da família Bolsonaro ou de pessoas do círculo próximo clã, o que não tem problema pela lei eleitoral. Veja abaixo quem são e o cargo que disputam:


Flávio Bolsonaro (PL) - filho de Jair e candidato à Presidência da República;

Michelle Bolsonaro (PL) - mulher de Jair e candidata ao Senado pelo DF;


Carlos Bolsonaro (PL) - filho de Jair e candidato ao Senado por Santa Catarina;


Jair Renan Bolsonaro (PL) - filho de Jair e candidato a deputado federal por SC;


Renato Bolsonaro (PL) - irmão de Jair e candidato a deputado federal por São Paulo;


Valéria Bolsonaro (PL) - prima distante de Jair e candidata a deputada estadual por SP;


Rogéria Bolsonaro (PL) - ex-mulher de Jair e mãe de Flávio, Carlos e Eduardo -- candidata a deputada federal pelo RJ;


Marcelo Bolsonaro (PL) - primo de Jair e candidato a deputado estadual por SP.


Outros nomes não são da família, mas integram o círculo mais próximo de Bolsonaro. São os casos de Hélio Lopes, que se colocou como Hélio Bolsonaro (PL) para concorrer ao Senado por Roraima; o capitão Mosart Bolsonaro (PL), ex-assessor do ex-presidente, que disputará vaga como deputado estadual em São Paulo; e Bruno Bolsonaro Scheid (PL), pecuarista escolhido pelo ex-presidente como candidato a senador por Rondônia.


Tem ainda o caso de Renata Bolsonaro (Agir). Apesar do mesmo sobrenome, a candidata a vice-governadora do Distrito Federal não tem nenhum parentesco com a família.


"LULAS" PELO BRASIL

Quatro das candidaturas com o nome de Lula são do PT. As outras são do Avante, do PSB e do PL.


Candidatura do PL não apoia Lula. Na verdade, o uso do nome do petista é uma provocação. Célio José de Moraes se registrou no TSE como "Dr. Célio, Lula do Bem", em uma crítica ao presidente.


Dois dos candidatos têm apoio direto do presidente. Trata-se de Cadu de Lula (PT), que concorre ao Governo do Rio Grande do Norte, e Samanda de Lula, candidata ao Senado pelo mesmo Estado.


Já o caso de Carlos Lula (PSB-MA) é diferente. Ele tem o mesmo sobrenome do petista — chama-se Carlos Eduardo de Oliveira Lula — e tentará mais um mandato de deputado estadual no Maranhão.


PRÁTICA PODE VIRAR CASO NA JUSTIÇA

Estratégia de pegar carona na popularidade das duas maiores forças políticas do Brasil pode dar errado. Há precedentes em que o uso dos nomes foi questionado pela Justiça Eleitoral. Em 2022, o MPE (MInistério Público Eleitoral) pediu que a Justiça vetasse o uso do sobrenome Bolsonaro por candidatos no Rio de Janeiro, por exemplo.


Neste ano, o MPE pediu a rejeição do uso do nome "Lula do Bem" pelo bolsonarista Dr. Clécio. O procurador responsável pelo pedido justificou que há normativos da Justiça Eleitoral vetando pedidos de variação de nomes semelhantes aos de candidatos em eleições majoritárias, caso do presidente Lula.


O mesmo aconteceu com Bruno Bolsonaro Scheid. O MPE solicitou a impugnação do seu registro de candidatura se ele continuar o usando o sobrenome do ex-presidente, por não ser da família.


Justiça Eleitoral vai decidir. A corte pode impugnar a candidatura e anular os votos até no dia da eleição se a decisão for contra o uso dos nomes.