Calcário entregue a produtores rurais de Vilhena pelo Governo do Estado é fruto de emenda de deputado estadual
 
A entrega de calcário pelo Governo do Estado a produtores rurais de Vilhena virou tema de debate acalorado nas redes sociais nos últimos dias, que envolveu denúncias e críticas a parlamentares do município e do Estado.
 
Os embates aconteceram em uma publicação no Facebook, feita pelo fotógrafo e colunista político de opinião Hernandes Mendonça. Sua postagem inclui um vídeo, originalmente publicado por Junior Pintor, assessor especial do deputado estadual Alan Queiroz. Na filmagem, é enaltecida a entrega de calcário a produtores rurais do município, através da atuação do deputado em parceria com o vereador Samir Ali. “Quero agradecer ao deputado e ao vereador por essa ajuda com o calcário, na nossa zona rural, é de grande valia. Temos que agradecer tamanha ajuda que nossos representantes estão fazendo por nós”, diz uma produtora rural entrevistada. No texto que acompanha o vídeo, Hernandes questiona que “essa doação de materiais e serviços públicos, na minha visão política, caracteriza tráfico de influência”.
 
Indicando que o tema deve ser investigado, Hernandes cobra transparência, consultas às associações de produtores rurais e parceria com o Executivo, acrescentando ainda que “tem que ter um critério legal pela distribuição, não pode ser para qualquer um, ou seja, os ‘companheiros’”. Sobre as imagens está a inscrição “Junior Pintor e Samir doando coisa pública para os amigos. Qual critério para entrega?".
 
Nos comentários, o ex-secretário municipal de Agricultura, Jair Dornelas, afirma que “as ações do Samir são tudo politiqueira” e exige que o vereador devolva dinheiro da Câmara para a Saúde, ao comparar como presidentes do Legislativo anterior usaram essas “sobras” de recurso para melhorias no prédio da Câmara. Samir rebate o comentário, explicando que no ano passado a Casa de Leis devolveu R$ 2,8 milhões e em 2023 foram R$ 2,1 milhões. “Isso não é algo da presidência, e sim de todo o Poder Legislativo, que busca economia para que esse recurso seja revertido em benefícios da população”.
 
Em outro comentário, mais abaixo, Jair Dornelas insiste. Define a atuação de Samir como “velha política”. É quando o embate fica mais acalorado. Samir faz sua réplica, lembrando que Jair foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral e está inelegível. Na sequência, as farpas continuam com o ex-secretário destacando que reelegeu um prefeito e que trabalha mais que Samir. O vereador rechaça a afirmação, lembrando que um grupo de apoiadores elegeu Eduardo Japonês e que, na verdade, Jair “fez foi tirar o mandato dele, justamente praticando a velha política”, já que duas das condenações do então prefeito envolveram supostas ações da Secretaria Municipal de Agricultura. Nas imagens abaixo é possível conferir a sequência do debate.
 
Consultado pela redação, Jair enfatiza que deseja entender aspectos da distribuição do calcário, como quais critérios foram usados, qual a participação do deputado Alan Queiroz e garante que “vários presidentes de associações de produtores rurais estão questionando o modo de distribuição”. Por sua vez, Samir explica que esteve na entrega por apenas 10 minutos e que somente solicitou a ação ao deputado Alan, que foi quem fez o contato com o Governo do Estado para viabilizar a doação de calcário. “Minha parte é solicitar o recurso. A distribuição é responsabilidade do Estado. Acredito e confio que foi feito dentro da legalidade, através da Emater. Mas não participo diretamente desses detalhes”, afirmou Samir.
 
Junior Pintor se manifestou em grupos de WhatsApp, enviando áudio no qual assegura que o projeto total envolve 280 toneladas de calcário para todo o Estado e que “não fazemos velha política. Samir e Alan trabalham corretamente. Quer aprender a fazer coisa certa? Vem trabalhar com junto com o Pintor. O Pintor ensina vocês a fazer a coisa correta. Junior Pintor está há 23 anos na política trabalhando a favor do povo mais humilde, homens e mulheres da mão calejada”.
 
A redação procurou o Estado para esclarecer a celeuma. Cleverson Oliveira dos Santos, gerente regional da Emater (Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia), revela que foram atendidos 25 famílias com a ação. “A escolha dos produtores foi feita a partir do DAP ou CAF. Por se tratar de um projeto de emenda parlamentar do deputado Alan Queiroz para vários municípios, sendo Vilhena um desses, ficou a cargo do seu assessor parlamentar a escolha desses produtores dentro de alguns critérios. A Emater em Porto Velho foi quem adquiriu o calcário através de licitação e a Emater aqui em Vilhena foi responsável por fazer o recebimento e repasse desse calcário aos produtores”, explica.
 
Para a escolha dos produtores, segundo a Emater, a equipe do deputado buscou integrantes da Agricultura Familiar, através da comprovação com DAP ou CAF, além de receberem indicações de presidentes de associações. “São 25 toneladas, no total. Cada produtor tinha direito a uma tonelada, divididos em 25 sacos de 40 kg cada. Veio em um frete pago pela empresa que vendeu o calcário, a Agromotores, da capital. Por ser um projeto de emenda direta, evidentemente não englobaria recursos para todos os produtores que precisam do benefício. Mas o Governo do Estado também tem projetos de distribuição de calcário e busca parcerias adicionais para cobrir boa parte dessa demanda”, conclui.