Filho não foi preso e assassino confesso tenta inocentar a esposa
 
A reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou, no início da manhã desta quarta-feira, 08, o delegado Núbio Lopes (FOTO), responsável pela Delegacia de Homicídios de Vilhena, que apesar de não ter jurisdição sobre Colorado do Oeste, trabalhou incessantemente com sua equipe no desdobramento do duplo homicídio registrado lá, e que chocou não apenas o Cone Sul, mas todo o Estado de Rondônia.
 
Antes de prestar qualquer esclarecimento, Núbio deixou claro que o trabalho de sua equipe foi de apoio e que o inquérito e desenrolar do caso se dará através da Delegacia de Colorado, onde o crime ocorreu. O delegado afirmou ainda que o trabalho da Polícia Rodoviária Federal(PRF) foi fundamental para a prisão dos envolvidos no duplo assassinato (LEMBRE AQUI).
 
 “O famoso ‘pulo do gato’ de fato foi dado pela PRF, e a partir de então se criou um efeito cascata envolvendo as demais polícias e ocorrendo o que acredito ser o míninmo que pode ser feito nessas situações, que é a entrega dos corpos para a família”, afirmou o delegado.
 
Com relação aos depoimentos dos envolvidos, que se deu até altas horas de terça-feira, 07, Núbio relatou que Nilmar dos Santos, de 38 anos, tomou para si toda autoria do crime, alegando que seu filho Carlos Eduardo Costa dos Santos, de 20 anos, que já se encontra em liberdade e a esposa, Francineia Costa de Oliveira de 37 (ainda detida), não tiveram qualquer envolvimento na morte de Dionelia Giacometti e Eldon Mai. O texto abaixo é embasado no depoimento de Nilmar
 
Em seu relato, o assassino confesso revelou que, no dia anterior ao homicídio, já tinha passado pela cabeça dele cabeça a ideia de apenas amarrar Dionelia em sua casa, roubar algum dinheiro dela e sumir com sua família. Assim quando Eldon, o marido da vítima chegasse, a soltaria e tudo ficaria bem.
 
No entanto, Nilmar não alimentou tal ideia, uma vez que tinha uma suposta dívida para receber em Cerejeiras, que garantiria a viagem de sua família para fora do Estado, porém, ainda segundo ele, a pessoa que lhe devia não o pagou e a situação acabou se complicando, uma vez que seu filho e a nora, que estavam em sua casa a cerca de 30 dias, já tinham se deslocado para Vilhena no domingo pela manhã, onde o aguardariam para seguirem viagem.
 
Como não recebeu o tal dinheiro, o suspeito afirmou ter ficado preocupado e passou a ingerir vinho, tendo isto alimentado a ideia que havia tido no dia anterior, de roubar dinheiro de Dionelia.
 
Como, segundo Nilmar, este não queria envolver sua esposa, pediu para que a mesma fosse ao mercado comprar refrigerante e atraiu a primeira vítima até sua casa, alegando que a pia estava com vazamento.
 
Como Dionelia teria visto que Nilmar estava em posse de um cabo de enxada, supostamente começou a falar alto com ele e este a golpeou com o objeto de madeira na região da nuca.
 
Ao ver a vítima se debater, o acusado a amordaçou com pedaços de uma camisa para evitar que ela gritasse. Ainda de acordo com Nilmar, isso não foi suficiente, momento em que, em posse de um fio de varal, envolveu o pescoço da vítima e puxou por trás, provocando seu estrangulamento.
 
Após colocar o corpo da idosa em um dos cômodos, o assassino não satisfeito, fez um torniquete nos dedos indicadores e polegares da vítima com um arame e os cortou.
 
Já com os dedos envoltos com fita adesiva no bolso, Nilmar saiu ao encontro da esposa e a deixou esperando em frente a agencia do banco Bradesco, disfarçando e se dirigindo até o Banco do Brasil para tentar sacar dinheiro da conta de Dionélia, sem obter sucesso na operação.
 
Ao ver a mulher reclamando de falta de dinheiro e tendo disfarçar que estava esperando o suposto pagamento que o mesmo sabia que não cairia, Nilmar tentou sacar dinheiro da conta de Dionelia novamente, mas não conseguiu e retornou para casa. Eldon chegou a tarde, por volta das 15 horas. 
 
Mais uma vez o suspeito afirma ter pedido para que a mulher saísse de casa para ir ao mercado comprar um isqueiro para ele, momento que, com a mesma desculpa de vazamento, atrai Eldon e o golpeia exatamente como havia feito com a primeira vítima.
 
Desta vez, Nilmar alega ter amarrado as mãos da vítima antes de praticar o estrangulamento usando o mesmo fio de varal.
 
Após colocar a segunda vítima no cômodo da casa onde estava a primeira, local este que segundo Nilmar, não era usado e por isso a esposa não desconfiou de nada, ele realizou buscas na casa do casal, tendo encontrado o valor de R$ 300,00 na bolsa da vítima.
 
Já por volta da meia noite de domingo, Nilmar pegou o carro das vítimas e levou até sua garagem, onde colocou os corpos no porta-malas e saiu sozinho para enterrá-los, sem que a esposa percebe.
 
Ainda na madrugada, Nilmar pega a esposa e sai de Colorado para Vilhena no carro do casal, alegando para a ela que o casal (já morto e a bordo) havia lhe emprestado.
 
Já em Vilhena, o casal deixa o carro nas proximidades da rodoviária e se hospeda no mesmo hotel onde estavam os filhos e nora.
 
Durante a segunda-feira, 06, Nilmar manda lavar o carro e volta para o hotel, de onde só sai na madrugada de terça-feira com a mulher e a filha menor, sentido Comodoro/MT, momento em que é abordado pela PRF, que já estava ciente do desaparecimento do casal e do veículo em questão.
 
Apesar de ter fornecido nome falso para os PRFs e ter anotado o passo a passo do crime no caderno da filha, que alegou ter emprestado para a mãe e recebido de volta já com as anotações, Francineia nega veementemente a autoria do crime e participação na ocultação dos cadáveres.
 
De acordo com Núbio, apesar da prisão temporária do casal ter sido decretada e ambos estarem detidos, somente o desenrolar das  investigações vai poder comprovar a participação da esposa no crime, uma vez que Nilmar tem tomado toda a responsabilidade para si.
 
Já com relação ao fato do filho do casal ter sido liberado, o delegado relatou que este também será investigado, porém, a prisão temporária dele não foi decretada, devido ao rapaz possuir passagens de ônibus que comprovam que ele a esposa e a irmã menor saíram de Colorado no início da manhã de domingo, o que não descarta o fato do jovem ter conhecimento dos planos do pai.