As greves de servidores públicos que nos últimos dias andam pipocando em várias cidades do Estado, parecem não afetar o humor do governador Confúcio Moura (PMDB). Na manhã de hoje, em entrevista coletiva ao vivo em cadeia de rádio, o mandatário lembrou que as atuais paralisações, que atingem os setores de educação e segurança, são apenas duas das 13 manifestações similares que enfrenta desde que assumiu o cargo.
Em tom de brincadeira, Confúcio disse que, tão logo conclua sua gestão, pretende escrever um livro cujo título já estaria escolhido: “Como enfrentar greves sem perder os cabelos”. Careca desde jovem, o peemedebista, no entanto, também falou sério e disse que, em virtude da situação financeira do Estado, não tem como atender as reinvindicações dos grevistas, cujo maior interesse, além de “condições de trabalho” é aumento salarial.
O governador disse que, das 13 greves que enfrentou, conseguiu solucionar 10. “E vamos resolver também essas três”, prometeu, revelando que o diálogo com os sindicatos é uma marca de sua administração, que mantém uma mesa de negociações permanentes.
Se os servidores não têm o que comemorar com o posicionamento de Confúcio, que só cogita conceder reajustes no ano que vem, seus adversários podem se animar. Num trecho da entrevista, ele deixou escapar que pode não concorrer à reeleição.
No momento em que cometeu o ato falho, Confúcio argumentava que não só Rondônia, mas outros Estados e o próprio país, enfrentam uma série crise financeira, razão pela qual, este ano, estaria descartado o aumento pedido pelo funcionalismo. Segundo ele, nenhuma irresponsabilidade deve ser cometida agora, sob pena de se comprometer as finanças do Estado. “O dinheiro não é meu. Eu sou governador e, portanto, minha presença é passageira. Daqui a menos de dois anos haverá um outro governador em meu lugar”. E, para não deixar dúvidas de que pode mesmo jogar a toalha na briga por um segundo mandato, finalizou: “Eu não posso entregar uma bomba para o próximo governador de Rondônia”. Cada um entenda vai interpretar do jeito que quiser este trecho do desabafo.