Faleceu nesta terça-feira, 11, no hospital Cooperar, em Vilhena, o produtor rural Armando Matos, conhecido como “Armando Português”. Ele tinha 85 anos e, em fevereiro deste ano, foi diagnosticado com câncer. Chegou a ser operado em Vilhena e passou 3 dias na UTI.


Transferido depois para o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, Matos ficou 20 dias internado na unidade. De volta a Vilhena, continuou enfrentando a doença, descoberta por uma nora médica, que o acompanhou na capital paulista.


O corpo de Armando será velado no Memorial São Matheus, em Vilhena, e depois seguirá para Ourinhos, no interior de São Paulo, onde vive grande parte de sua família. Ali, o migrante lusitano será sepultado.


Um dos filhos do pecuarista/agricultor escreveu um texto que traz detalhes da trajetória dele, que desembarcou no Brasil no ano de 1958. LEIA ABAIXO, na íntegra:


Armando Matos, o “Português”

Hoje o agro brasileiro se despede de um dos seus pioneiros.


Armando Matos, conhecido como “Português”, faleceu neste dia 11 de agosto de 2026. Mas deixa uma história que inspira gerações.


Imigrante português, chegou ao Brasil em 1958. Sem estudos, com as mãos calejadas e o coração cheio de sonho. Ao lado do irmão Joaquim Matos enfrentou trabalhos pesados, juntou cada centavo e trouxe para o Brasil seus pais e sua irmã.


Da dificuldade nasceu a força.


Nos anos 70 já era empresário e produtor rural em Ourinhos-SP, com uma sociedade familiar importante – reconhecida cerealista que atendia diversas regiões do país, bem como produção agrícola da época - rotação de soja e trigo.


Mas o “Português” tinha visão de futuro. Foi vendendo o patrimônio em São Paulo e partiu para o Norte. Acreditou em Rondônia quando poucos acreditavam.


Se estabeleceu em Vilhena, Rondônia, adquirindo propriedades para a pecuária em Chupinguaia e nas margens do Rio Barão do Melgaço, em Pimenta Bueno.


Em 1996 fixou a família em Vilhena.


Pioneiro. Abriu caminhos onde nem havia estrada, muito menos produção e infraestrutura.


A partir dos anos 90, ao lado do filho Fernando Matos, expandiu para Campos de Júlio-MT com a produção de soja e milho. Depois a expansão para Comodoro-MT e Vilhena-RO.


Casou-se em 1970 com a minha mãe Regina Matos. Juntos criaram 5 filhos: Lúcia, Sílvia, Fernando, Márcia e Marcos. E hoje colhem o amor de 7 netos: Raquel, Gabriel, Felipe, Samuel, Francisco, Daniel e Anna Beatriz.


Na última década investiu em integração lavoura-pecuária, sistemas de armazenagem de silos metálicos, confinamento e agricultura de precisão e transportes.


Olhava para frente e já falava com entusiasmo do etanol de milho e do biodiesel. Queria viver mais para ajudar a família a atravessar esse momento de incerteza no agro brasileiro, mas acima disso, planejar o futuro para os próximos anos.


Mesmo nos momentos mais difíceis, carregando nas costas compromissos, investimentos e a responsabilidade por tantas famílias, ele dizia: “isso vai passar”. E passava. Porque ele era otimista, trabalhador e tinha fé.


Armando Matos será lembrado como um homem de ética, honestidade, trabalho e credibilidade. Um produtor rural que ajudou a construir o Norte e o Centro-Oeste do Brasil. Deixa saudades, deixa exemplo e legado: a história de quem acreditou no Brasil, no trabalho e no agro.


Seu estado de saúde se complicou e foi amparado pela sua nora e médica Roberta Matos, que esteve desde o dia 09/02/2026 incansavelmente acompanhando seu estado de saúde, dando total assistência e fazendo o melhor junto à toda família.


Descanse em paz. Te amaremos para sempre.