O candidato da situação a prefeito de Cerejeiras, Pedrinho Taxista (PMDB), disse nesta quinta, 30, que a pesquisa eleitoral publicada recentemente pela imprensa da região “é mentirosa”. A sondagem, feita pelo IRPE, instituto com sede em Vilhena, dá larga vantagem ao candidato adversário, Airton Gomes (PP). Segundo os dados da pesquisa, o progressista tem 66,5% das intenções de votos; o peemedebista, 30,4% e não 3,2% responderam ao questionário.
Antes de subir no palanque do último comício, realizado ontem, Pedrinho conversou rapidamente com o FOLHA DO SUL ONLINE. Ele afirma não acreditar nos números apresentados pela recente pesquisa e apresenta a razão de sua suspeita. “Se você somar todos os dados apresentados pela pesquisa, dá 101% de eleitores. Agora eu te pergunto: em que município do Brasil ou do mundo existe 101% de eleitores? Não existe isso”, afirma Pedrinho.
Segundo um cálculo feito pelo site FOLHA, a somatória da pesquisa não dá 101%, mas 100,1%, ou seja, passa um décimo do limite estatístico de 100%. Essa tolerância é possível devido à margem de erro, que são de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Por outro lado, é evidente que, com um décimo a mais que o limite de 100%, a credibilidade da pesquisa sofre arranhões inevitáveis.
Em seu perfil na rede social Facebook, Pedrinho postou uma reprodução do panfleto da pesquisa distribuído pelo candidato oposicionista. Pedrinho destaca, em grifo, os dados que ele considera contraditórios. Além do já citado erro de 100,1%, o candidato peemedebista também observa as datas discrepantes sobre a realização da pesquisa e sua divulgação. Segundo o panfleto, a pesquisa eleitoral foi feita nos dias 23 a 24 de agosto, mas, ainda segundo o panfleto, a sondagem foi registrada no TSE no dia 20 de agosto – três dias antes do início de a pesquisa começar a ter sido feita.
 Pedrinho diz também que, mesmo se a pesquisa estivesse correta, ela não reflete a realidade. “A verdade precisa ser trazida à tona. Se a gente olhar, dá para ver que somos o favorito”, afirma. Ele diz também que não é a primeira vez que uma pesquisa é usada em campanha. “Já teve um candidato aqui no passado que distribuiu de avião um resultado de uma pesquisa que o apontava como vencedor, mas as urnas deram uma lavada nele”, complementa.
O candidato adversário, Airton Gomes, distribuiu um folder com os dados da pesquisa. Um dos militantes do oposicionista, que pediu para não ser identificado, explica a razão: “Acreditamos que os indecisos vão pender para quem estiver na frente. Tem gente que vota em quem é favorito na pesquisa”.