“Queriam entregar um hospital funcionando como uma Ferrari para fazer política em época de campanha”
Em entrevista coletiva na manhã deste sábado, 04, marcada por fortes declarações, o prefeito de Vilhena, Delegado Flori (Podemos), criticou duramente a tentativa do Governo de Rondônia de assumir de forma abrupta o Hospital Regional Adamastor Teixeira de Oliveira (ENTENDA AQUI).
O prefeito vilhenense classificou a ação como “atabalhoada, autoritária e irresponsável”, reforçando que a medida, que acabou barrada por dois tribunais, colocaria em risco a vida de milhares de pacientes do Cone Sul, que buscam atendimento na maior cidade da região.
Flori lembrou que há mais de duas décadas Vilhena carrega o peso de manter um hospital que deveria ser de responsabilidade do Estado. Segundo ele, os recursos municipais que poderiam ser destinados a infraestrutura, escolas e serviços básicos foram drenados para sustentar a unidade hospitalar.
“Nenhuma cidade do mundo mantém um hospital regional com recursos próprios. Vilhena fez isso por anos, e agora que conseguimos organizar a casa com a Santa Casa de Chavantes, o Estado aparece para tentar tomar à força”, declarou.
O prefeito destacou que a Santa Casa de Chavantes vem mostrando eficiência na gestão, mesmo diante de constantes atrasos nos repasses estaduais. Ele acusou o governo de agir com má fé ao tentar transferir a responsabilidade sem planejamento, sem inventário patrimonial e sem passagem de plantão.
“Queriam entregar um hospital funcionando como uma Ferrari para fazer política em época de campanha. Mas não apresentaram nenhum plano de transição, apenas um papel de duas páginas, sem avisar o prefeito, sem avisar a Santa Casa, sem avisar ninguém”, disse.
Flori relatou ainda episódios graves durante a tentativa de intervenção, como o caso em que uma funcionária da Santa Casa teria sido trancada em uma sala e pressionada a assinar uma notificação. “Isso é covardia. É inadmissível que um secretário de Estado da Saúde trate servidores dessa forma. É um ato que beira a improbidade administrativa”, afirmou.
O prefeito reforçou que o hospital já é, por contrato, responsabilidade do Estado, mas que a transição precisa ser feita de forma gradual e planejada, conforme previsto em instrumento jurídico assinado entre governo, município e Santa Casa.
“Não estamos negando que o hospital é do Estado. O que exigimos é que se cumpra a lei e que a população não seja colocada em risco por uma decisão política malconduzida”, disse.
Flori também citou os pareceres recentes da Justiça e do Tribunal de Contas do Estado, que suspenderam a ordem de desocupação e a contratação emergencial do Instituto PATRIS. O TCE apontou que a nova entidade custaria pelo menos R$ 12 milhões a mais por ano e que o Estado já enfrenta um déficit de R$ 877 milhões na saúde.
“Não sou eu quem está dizendo, é o Tribunal de Contas. Eles viram que essa pressa toda não fazia sentido e que a empresa escolhida sequer demonstrou qualificação técnica para assumir um hospital dessa complexidade”, ressaltou.
O prefeito concluiu afirmando que a prefeitura está preparada para recorrer ao Judiciário caso o governo insista em medidas ilegais. “Temos todos os instrumentos jurídicos, todas as pactuações e assinaturas. Se o Estado quiser fazer uma transição, que faça dentro da legalidade. O hospital já é deles, mas não podem colocar em risco a vida dos vilhenenses e de todo o Cone Sul por uma decisão política precipitada”, finalizou.
Assim, a fala do prefeito se soma às decisões da Justiça e do TCE, que já haviam barrado a tentativa de golpe administrativo do Estado, reforçando que a legalidade e a segurança da população devem prevalecer sobre interesses políticos.
Autor:
Paulo Mendes
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 05 de Julho de 2026, às 06:08