Quadros de ansiedade e de depressão, por causa do isolamento, das perdas e das mortes aumentaram na pandemia
Começou na segunda e vai até a sexta, 08 de julho, o Projeto Saúde Mental da APS que está sendo desenvolvido por meio da cooperação técnica entre o Hospital Israelita Albert Einstein e a Secretaria de Estado da Saúde (SESAU), via PROADI-SUS.
Essa cooperação trouxe para Rondônia uma equipe de profissionais renomados que irão capacitar servidore rondonienses em duas regiões do Estado (Região do Café e Cone Sul). No Cone Sul, a capacitação acontece em Vilhena, na Faculdade Fimca.
Para essa capacitação, vieram a enfermeira Kerley Menezes; o analista de práticas do Hospital Albert Einstein, Valmir Gomes; e Sandra Fortes, que é graduado em Medicina, especialista em Residência em Psiquiatria, Mestra em Psiquiatria e Saúde Mental, Doutora em Saúde Coletiva e Professora associada da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).
A reportagem do FOLHA DO SUL ONLINE conversou com Sandra Fortes, que reforçou que projeto é de capacitação dos profissionais da atenção Primária e da Saúde Mental e que o primeiro passo é a formação de uma turma de facilitadores para a região do Cone Sul de Rondônia.
“O material empregado é da Organização Mundial de Saúde, que se chama ‘Lacunas do Cuidado em Saúde Mental’, e eu sou uma das capacitadoras treinadas pela OMS. Esse projeto é realizado no mundo inteiro, com adaptações, obviamente, a realidade de cada país, inclusive à brasileira. O que estamos fazendo é formar uma turma de facilitadores pra que essa capacitação possa ser disseminada em todos os municípios da região para o cuidado da saúde mental pela Atenção Primária”, apontou.
A FOLHA quis saber se o projeto já vinha sendo desenvolvido há algum tempo ou se houve algum gatilho que tenha exposto a necessidade de uma atenção maior às doenças ligadas à mente. “O manual já existe há anos, e a gente vem fazendo capacitação em vários Estados desde 2017. Agora, o projeto de saúde mental do PROADI, ligado ao Hospital Albert Einstein, é mais recente; começou no ano passado e Rondônia foi um dos três Estados escolhidos, com duas regiões, e o Cone Sul foi uma delas”, esclareceu Fortes, antes de prosseguir: “a demanda em saúde mental a ser atendida, e que já é atendida na Atenção Primária é enorme, e piorou ainda mais com a pandemia; porque aumentaram os quadros de ansiedade e de depressão, por causa do isolamento, das perdas, das mortes. Além disse, teve o aumento do consumo de álcool. Então a importância da saúde mental, em termos de trazer comprometimento com a qualidade de vida das pessoas, ela aumentou. Sendo assim, essa capacitação se torna mais necessária”m ponderou.
Fortes explicou ainda que esses quadros sobrecarregaram os profissionais que, muitas vezes, não sabem como cuidar. “Eles têm um vínculo muito forte com a população que é de responsabilidade deles, mas muitas vezes não sabem como fazer. Então, a capacitação visa que eles se sintam seguros, confortáveis e que ajudem a estruturar a integração com a Saúde Mental Especializada para dar suporte a esses profissionais”, disse.
A reportagem do site conversou também com Adriana Carvalho, que juntamente com Rosalina Reis e Sara Iamone, e com o apoio do gerente Regional de Saúde, Sérgio Souza Mattos, coordena o projeto. Ela afirmou que dentro do projeto existem várias etapas e que o que aconteceu na segunda-feira foi tão somente a primeira de muitas. “Hoje, nós estamos vivenciando a primeira etapa que, dentro desse calendário, acontece vários eventos como workshop, tutoria, que tem essa metodologia que a gente chama planificação, que é literalmente deixar todas as Unidades Básicas de Saúde, os pontos de atenção, CAPES, Hospitais, se comunicando de forma interligada, assistindo o paciente de maneira eficiente, com um acolhimento e uma proximidade, de forma humanizada”, defendeu.
Carvalho comemorou a oportunidade poder contar profissionais de excelência reconhecida e que contribuirão para uma formação plena dos profissionais rondonienses. “Esta semana teremos formação com a Drª Sandra Fortes, uma referência da psiquiatria no Brasil, e que veio aqui para Rondônia juntamente com a equipe do Albert Einstein. Isso é valoroso pra nossa capacitação”, disse.
Por fim, Carvalho evidenciou o papel da Secretaria Regional de Saúde. “O nosso papel é dar condições para que os serviços e os profissionais de saúde estejam articulados, estejam presentes. E tudo isso é monitorado via plataforma e-SUS, que conta com todo o plano de ação. A gente se move para monitorar e ver se as coisas estão realmente acontecendo. E quando elas não estão acontecendo, quando há alguma dificuldade, é nosso dever mediar e destravar para que as coisas continuem avançando. Tudo isso na busca de mudar os indicadores de saúde mental, que a gente sabe, pioraram na pandemia. E para que isso ocorra, precisa de gente que olhe para as pessoas, cuide das pessoas, que se comprometa com as pessoas”, ponderou.
Fotos
Autor:
Rogério Perucci
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 06 de Julho de 2022, às 09:23