Site publicou vídeos que já eram de domínio público; advogada exigiu retirada de reportagem do ar
 
Na noite de ontem, uma filha do comerciante Dirlei Ricardo de Medeiros, morador de Cerejeiras, ligou para o editor do FOLHA DO SUL ON LINE exigindo que fosse retirada do ar uma reportagem sobre a libertação dele, em Brasília. Logo depois, uma advogada que dizia representar Dirlei também telefonou fazendo o mesmo pedido.
 
Em ambos os casos, o site explicou que a publicação não violava a lei e, diante da argumentação de que seria preciso autorização para expor as imagens, foi informado que todo o material era público. Um dos vídeos, que mostra o comerciante durante os protestos dia 08 de janeiro, em Brasília, foi gravado por ele mesmo (ENTENDA AQUI).
 
No vídeo anterior, compartilhado através do WhatsApp, Dirlei diz que “estamos seguindo aqui em frente pra ver se nós toma conta do STF”. À filha e à advogada do cerejeirense, o site explicou que não há qualquer proibição para citar o nome dele, uma vez que a juíza Leila Cury, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, autorizou a divulgação dos nomes dos presos por participação nos atos de 08 de janeiro (CONFIRA AQUI). 
 
Também foi explicado que divulgar o material de domínio público, enviado pelo próprio Dirlei, não configura nenhum tipo de crime e nem exige qualquer autorização.
 
Hoje, a filha do comerciante registrou uma queixa contra o site e o editor na Polícia Civil de Cerejeiras, dizendo que o veículo havia publicado “inverdades” e que o último vídeo havia sido enviado por ele para a filha. Além de alegar que a filmagem era “privada”, a denunciante explicou, ao registrar o BO, que “um grupo de advogado o qual se fazia presente filmou do próprio celular a sua saída, sendo que o senhor Dirlei Ricardo de Medeiros pediu que o vídeo fosse enviado para a sua filha avisando-a que já estaria em liberdade e voltando para casa, assim fazendo com que fosse preparada a sua chegada”
 
Em sua queixa, a filha de Dirlei, que nega a participação dele em depredações durante os protestos na Capital, demonstra preocupação com uma das condições impostas pela justiça para soltá-lo. “Uma das condicionantes da sentença é a não postagem de qualquer tipo de vídeo com a sua participação, assim temendo pelas consequências de tal postagem”, diz um trecho do Boletim de Ocorrência recém-registrado.
 
NOTA DA FOLHA
O FOLHA DO SUL ON LINE está preparado para defender na justiça o seu direito de informar. Neste caso específico, tem todos os elementos para demonstrar que fez o relato dos fatos sem tecer qualquer comentário ofensivo à honra do manifestante preso.