Ameaça de prisão contra indígenas causa momentos de tensão
No final da tarde desta sexta-feira, 04, o FOLHA DO SUL ON LINE assistiu, através de uma das muitas transmissões feitas ao vivo pelas redes sociais e no WhatsApp, a ação da “Força Tarefa” que chegou em Vilhena para desobstruir a BR 364, na saída da cidade para Porto Velho.
O vídeo enviado por um manifestante mostra a chegada de policiais onde os manifestantes estão concentrados (ASSISTA ABAIXO). Sobre um caminhão de som usado pelos próprios manifestantes, o comandante da equipe policial explicou a determinação judicial que o grupo havia vindo cumprir na cidade.
O comandante elogiou os manifestantes, dizendo que eles eram pessoas de bem e que estavam no local acompanhadas de suas famílias, mas disse que a determinação da Justiça Federal em Rondônia teria que ser acatada. Uma mulher com “dreadlocks” no cabelo (chamada de “Medusa” por alguns participantes do ato) e que seria procuradora da República, acompanhava a ação policial.
Durante suas explicações no caminhão de som, o comandante disse que a liberação da rodovia deveria ser total, ao mencionar que, até a chegada da equipe, a tática era “pare-e-siga”, com a liberação do tráfego a cada 30 minutos.
A autoridade esclareceu que nenhum veículo poderia permanecer na pista ou no acostamento na rodovia, mas os manifestantes poderiam continuar às margens e em propriedades particulares adjacentes.
Ao questionar se havia alguém liderando o protesto, o policial ouviu um coro de não dos presentes, mas em cima do caminhão, ouviu o microempresário e militante político Adriano Vilhenense pedir um tempo até amanhã para analisar a ordem judicial. E respondeu: “não vejo motivo para deixar para amanhã. A decisão mais sábia é liberar o fluxo”.
Houve um momento de tensão, quando índios que estavam no protesto foram retirados do meio dos manifestantes e levados para uma sala no posto de combustíveis Catarinense, sendo acompanhados pelos participantes do protesto. Também foram entoados coros como “Lula Ladrão, seu lugar é na prisão” e “nossa bandeira jamais será vermelha”.
Em outro momento, os manifestantes cantaram o hino nacional e bradaram o refrão “S.O.S., FFA”, numa referência às Forças Armadas, confirmando o desejo de “intervenção federal” já pedido através de um cartaz sobre o caminhão de som.
O site continuará acompanhando o caso, que pode acabar com a desobstrução total da rodovia ou com a resistência dos manifestantes, já que alguns demonstraram o interesse de “continuar lutando”.
Embora um manifestante tenha dito na live que um delegado da Polícia Federal havia prendido os indígenas que estavam no protesto, essa informação não foi oficialmente confirmada.
Fotos
Vídeo
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 04 de Novembro de 2022, às 18:59