“Reconheço ter errado, especialmente pela forma como escrevi as mensagens”
 
O Twitter foi tomado por uma discussão sobre ética na medicina no último domingo,  23, por causa de uma postagem polêmica de uma suposta médica. A profissional reclamou, em seu perfil aberto na rede social, de um paciente com infecção urinária que precisou ser atendido no fim de semana.
 
"Tem que ser muito filho de uma p* para parar no Pronto Socorro à 1 hora da manhã por conta de uma infecção urinária", escreveu o perfil “Mari Lima”.
 
O comentário viralizou por outro perfil, que tirou uma captura de tela da publicação de Mari e postou com a seguinte legenda: “Daí você passa mal, vai para o hospital e sua médica é essa daqui”, disse.

Nos comentários da publicação, outros internautas descobriram o perfil no Instagram da suposta médica e o que seria o registro no Conselho Federal de Medicina.


Ainda conforme os "detetives da internet", a médica se formou em uma faculdade particular em Porto Velho, em Rondônia.
 
Outro usuário do Twitter expôs outros comentários da médica no Twitter, como uma publicação em que reclama de gestantes e de pacientes na UPA durante o fim de semana.
 
A publicação da captura de tela conta com mais de 218 mil curtidas e 20 mil comentários, a maioria criticando a suposta médica.
 
Os perfis no Instagram e no Twitter da autora estão no modo privado, abertos apenas para seguidores dela.
 
CRÍTICAS
Os comentários na publicação original se dividiram em três grupos: os perfis que criticaram a dona da postagem por expor a suposta médica, relatos de pacientes que não tiveram bons atendimentos nos hospitais e críticas à suposta profissional.
 
DENÚNCIA
Além das críticas na rede social, outros perfis denunciaram a médica para o Conselho Federal de Medicina por "violação do Código de Ética Médica".
 
RETRATAÇÃO
A médica é funcionária terceirizada de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A prefeitura suspendeu a funcionária enquanto o caso é apurado.
 
A profissional reconheceu, em outra postagem, que errou ao fazer os comentários: “reconheço ter errado, especialmente pela forma como escrevi as mensagens, mas ressalto que a forma de indignação foi pensando no bem estar geral dos pacientes. Entendo que todos mereçam ótimo tratamento e foi assim que sempre agi, porém sempre me preocupei que pessoas com sintomas que deveriam ser tratados em UBS e serviços ambulatoriais pudessem causar filas que gerassem risco ao atendimento de pessoas em situações de urgência/emergência", disse a médica.
 

NOTA OFICIAL

A prefeitura de Curitiba, onde Mari mora e trabalha hoje, se manifestou em nota sobre a conduta da médica, em que dizem ser contrária ao exposto nas redes sociais: "Segundo os colegas, [a médica] sempre atendeu todos os pacientes com muito respeito e simpatia, sem reclamações por parte da população. Não tínhamos conhecimento destas publicações até o momento", afirmou a prefeitura, em nota. "Mas, devido ao fato, está suspensa das atividades de atendimento na UPA 24h deste município, até que tudo seja esclarecido. Se comprovada conduta irresponsável, que fere os princípios éticos do exercício da profissão, a mesma será desligada da equipe de plantonistas".