A denunciante fez uma série de apontamentos que devem ser investigados pelo MP
A filha de uma paciente denunciou ao Ministério Público situações que presenciou e viveu dentro do Hospital Regional de Vilhena durante os dias que acompanhou a sua mãe que veio transferida de Cerejeiras.
Conforme a mulher, que veio de Cuiabá para acompanhar a mãe, a aposentada de 57 anos passou por uma cirurgia vascular em uma das pernas a cerca de 60 dias. Procedimento realizado no Hospital Municipal de Cerejeiras. No dia 18 de novembro, ele foi retornou àquela unidade de saúde para se submeter a procedimento similar na outra perna.
Segundo a filha, não foram feitos novos exames pré-operatórios e os profissionais consideraram os exames feitos para a cirurgia anterior. Ela disse ainda que, já na sala de cirurgia, testes apontaram que a paciente estava com a glicemia alta. O médico teria se recusado inicialmente a fazer a procedimento, mas acabou realizando.
A denunciante contou que a mãe recebeu alta no dia seguinte e foi para casa. Mas começou a sentir falta de ar, que persistiu até o dia seguinte, quando ela procurou o hospital, foi medicada e mandada para casa novamente. Mas o mal estar continuou e ela retornou mais uma vez ao hospital. “Ela chegou no hospital a noite com falta de ar e com a veia do pescoço inchada”, contou a filha, que revelou que nenhum exame foi feito naquele momento, apenas no dia seguinte, por volta das 10 horas.
Sem diagnóstico, a família pediu ao hospital que autorizasse a transferência da paciente para um hospital privado em Cacoal. Conforme a filha, a resposta do hospital de Cerejeiras foi a de que não havia necessidade de transferência. No entanto, segundo a filha, eles haviam aberto solicitação de vaga para o Hospital Regional de Vilhena. E foi o que aconteceu. A aposentada deu entrada no Hospital de Vilhena no dia 25 de novembro e internada na Sala Vermelha, com suspeita de tromboembolismo pulmonar.
Em Vilhena, contou a filha, a família seguiu às escuras sem saber qual era o problema da mãe, pois, segundo ela, os médicos não deram nenhum diagnóstico.
E a coisa piorou. A filha da aposentada contou que a mãe precisava fazer um exame que pudesse revelar a sua patologia, e procurou a assistente social do HRV, solicitando o pedido de exame para que a família pudesse procurar uma clínica privada e assim agilizar o diagnóstico.
Ocorre que, segundo a filha, o médico que solicitou o exame não havia deixado o pedido. “Uma negligência, minha mãe estava na Sala Vermelha, numa situação grave, e o médico não deixa o pedido de exame?”, questionou.
A denunciante contou que tiveram que correr atrás de outro médico cardiologista para assinar o pedido de exame. E aí veio outra complicação: a única clínica que realiza o exame em Vilhena só recebe em dinheiro. “Nada de pix ou cartão, apenas em dinheiro vivo. E tivemos que ir até o banco sacar dinheiro para poder pagar pelo exame”, lamenta.
Outro episódio denunciado foi o atrito com um enfermeiro. A denunciante contou que, como o entorno dos pontos da cirurgia da sua mãe estava avermelhado, ela pediu ao enfermeiro que fosse dar uma olhada. Segundo ela, o profissional garantiu que iria em um minuto. Mas o tempo passou e ninguém apareceu para atender a sua mãe. Ela então retornou para solicitar o atendimento e foi recebida com rudeza e grosseria. Que se seguiu quando ela pediu que ele se identificasse.
Depois da discussão, a mulher procurou a direção do hospital, que se comprometeu em tomar providências. “Mas não teve providência alguma, a discussão foi pela manhã, quando foi de noite, ele voltou ao hospital, na ala da minha mãe, sem uniforme, com roupas comuns, colhendo assinaturas de pacientes em uma folha em banco e perguntando se ele havia sido grosso com algum deles. Imagina se alguém vai falar que sim”, ponderou a mulher, que disse que no restante do turno ele dizia em voz alta que estava levantando a ficha dela e que iria denunciá-la.
Conforme a denunciante, ela fez vídeos e fotos também da estrutura do Hospital Regional que mostram paredes com reboco caindo, as más condições dos banheiros e improviso para tampar um buraco no forro.
Ela também denunciou que os lençóis das camas não são trocados todos os dias; e também a má qualidade da comida. A mulher aponta ainda, o que considera desumano. Segundo ela, uma paciente que precisa passar por um procedimento de drenagem está a cerca de 30 dias internada aguardando uma vaga para ser transferida. Segundo a denunciante, a mulher já teria entrado com um mandado de segurança para conseguir fazer o procedimento.
Tudo isso foi levado pela denunciante à Secretaria Municipal de Saúde, cujo titular estaria viajando de férias -pelo menos essa foi a informação que deram à ela; e ao gabinete do Prefeito, antes de ser protocolada no Ministério Público, que irá investigar a situação.
A mãe da denunciante se recuperou, recebeu alta no dia 01 de dezembro e já está em casa, em Cerejeiras. “Minha mãe está bem, graças a Deus, mas o que eu estou fazendo é para que outras pessoas não precisem passar pelo mesmo que nós passamos”, disse a denunciante.
O FOLHA DO SUL ON LINE publicará a versão das autoridades locais de saúde tão logo elas se manifestem sobre as denúncias.
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Autor:
Rogério Perucci
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 05 de Dezembro de 2023, às 10:25