Candidata do PT ao Senado participou, na última sexta-feira (4), de entrevista apresentada por Cícero Moura e falou sobre trajetória política, agricultura, relações com a China, desenvolvimento sustentável, políticas do governo Lula, proteção às mulheres, segurança pública e o papel que pretende exercer em Brasília


A candidata ao Senado Federal pelo PT, Luciana Oliveira, participou na última sexta-feira, dia 4 de setembro, de sabatina no SIC NEWS, apresentada pelo jornalista Cícero Moura. Ao longo da entrevista, Luciana apresentou as bases de sua candidatura, relacionou sua trajetória no jornalismo e nos movimentos populares ao projeto que pretende levar para o Senado e abordou temas que passaram pela economia de Rondônia, agricultura, comércio internacional, políticas públicas, proteção às mulheres e segurança.


Logo no início da conversa, Luciana utilizou o lema “amor para cuidar, coragem para transformar” para explicar a maneira como encara a disputa eleitoral. Ao falar sobre a decisão de concorrer ao Senado pela primeira vez, afirmou que a candidatura exige disposição para enfrentar divergências políticas e defender posições que fazem parte de sua trajetória.


“Eu sou uma mulher de muita coragem. Senão, eu não estaria nessa disputa”, afirmou.


A candidata também defendeu a presença do Partido dos Trabalhadores no cenário político de Rondônia e apresentou a própria candidatura como resultado de uma trajetória construída dentro da militância e ao lado de movimentos populares. Luciana lembrou a participação em mobilizações relacionadas a trabalhadores, defesa de territórios e diferentes segmentos sociais e afirmou que sua entrada na disputa não ocorreu de maneira ocasional.


Segundo ela, a candidatura encontrou acolhimento na militância petista e dialoga diretamente com as pautas que acompanharam sua atuação profissional e política. Luciana também rejeitou a ideia de que o perfil conservador de Rondônia determine de forma permanente as escolhas políticas do estado.


“Rondônia não é bolsonarista, Rondônia não é de direita. Rondônia não tem dono”, declarou ao falar sobre as transformações políticas e eleitorais que, segundo ela, fazem parte da história do estado.


A possibilidade de cada eleitor escolher dois candidatos ao Senado também entrou na estratégia apresentada durante a entrevista. Luciana afirmou que pretende buscar não apenas o voto do campo progressista, mas também o segundo voto de eleitores que tenham preferência por candidatos de outros grupos políticos. A candidata apresentou essa possibilidade como uma oportunidade para que o eleitor coloque lado a lado projetos diferentes para a representação de Rondônia.


Outro trecho da sabatina foi dedicado à trajetória de Luciana como jornalista. Ela lembrou que profissionais da comunicação frequentemente acompanham de perto problemas sociais e demandas da população, mas apontou uma característica que considera própria de sua trajetória: a decisão de direcionar o jornalismo para movimentos e lutas populares.


Luciana relatou ter trabalhado em diferentes veículos de comunicação antes de seguir uma atuação independente e disse que esse trabalho lhe permitiu acompanhar conflitos sociais, demandas de trabalhadores, movimentos de mulheres, povos indígenas, quilombolas e outros segmentos. Ao defender a experiência acumulada antes mesmo de disputar um mandato, resumiu: “Meu trabalho trouxe muitos resultados sem mandato”.


Entre os episódios citados, a candidata mencionou reportagens relacionadas aos pescadores atingidos pelas usinas do rio Madeira e aos trabalhadores da saúde durante a pandemia. Segundo Luciana, conteúdos produzidos por ela foram utilizados em mobilizações e ações jurídicas relacionadas a direitos desses grupos. A candidata apresentou esse histórico como parte da experiência que deseja transferir para a atuação parlamentar.


A relação entre Rondônia e a China ocupou uma parcela significativa da entrevista. Luciana voltou recentemente de um intercâmbio de mídia no país asiático e relatou que utilizou o período não apenas para atividades profissionais, mas também para conversar com integrantes da diplomacia chinesa sobre possibilidades econômicas para Rondônia.


A candidata defendeu a diversificação da pauta de exportações do estado e a agregação de valor aos produtos rondonienses. Segundo ela, Rondônia possui relação comercial significativa com a China, mas ainda concentra parcela importante de sua economia na exportação de produtos como carne, soja e milho.


Para Luciana, o próximo passo precisa envolver industrialização, beneficiamento da produção local e abertura de novos mercados. Café, pescado, carne e produtos agrícolas foram citados entre os segmentos que podem ganhar valor antes de chegar ao mercado internacional.


“Eu construí pontes lá”, afirmou ao se referir aos contatos mantidos durante o período na China.


Luciana disse ainda que teve acesso a discussões envolvendo produtos com potencial para ampliação das relações comerciais e sustentou que uma cadeira no Senado pode ser utilizada para aproximar Rondônia de oportunidades dessa natureza. Na avaliação apresentada por ela, o parlamentar não deve atuar apenas na destinação de recursos, mas também na articulação de projetos econômicos, tecnológicos e internacionais.


A candidata relacionou essa agenda ao debate sobre sustentabilidade. Segundo Luciana, a expansão da produção deve acompanhar exigências ambientais que vêm ganhando espaço nos principais mercados consumidores do mundo. Ela defendeu que a preservação de recursos naturais e o desenvolvimento do agronegócio não sejam tratados como objetivos incompatíveis.


A experiência observada na China foi utilizada pela candidata como referência para defender uma agricultura mais tecnológica, produtiva e ambientalmente responsável. Luciana afirmou que Rondônia precisa acompanhar essa transformação para preservar mercados e abrir novas oportunidades para seus produtos.


Nesse contexto, ela também criticou políticas que, em sua avaliação, colocam o Brasil em situação desfavorável diante de exigências sanitárias e ambientais internacionais. Ao tratar de restrições impostas por mercados estrangeiros, sustentou que o estado não pode permanecer dependente apenas da exportação de matéria-prima e precisa buscar maior capacidade de processamento e industrialização.


As políticas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também apareceram ao longo da sabatina. Na área da proteção às mulheres, Luciana destacou a criação de políticas federais destinadas ao enfrentamento da violência de gênero e relacionou essas iniciativas à situação registrada em Rondônia.


“O governo Lula lançou o Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio”, afirmou ao defender maior integração entre União, estado e demais instituições envolvidas na proteção das mulheres.


A candidata também mencionou a Casa da Mulher Brasileira prevista para Porto Velho, projeto que reúne serviços especializados de atendimento a mulheres vítimas de violência. Luciana colocou a iniciativa entre as estruturas que considera necessárias para enfrentar um problema que acompanha há anos tanto como jornalista quanto em sua participação em movimentos feministas.


Ao tratar do feminicídio, a candidata utilizou os dados de 2025 para destacar a gravidade do problema em Rondônia e defendeu que a proteção às mulheres seja tratada como uma pauta permanente do poder público. Segundo Luciana, sua atuação nessa área antecede a campanha eleitoral e está ligada à participação em movimentos como o Levante Feminista e Elas por Elas.


A segurança pública foi abordada em seguida. Luciana relacionou os desafios de Rondônia à presença do crime organizado, ao tráfico de drogas em uma região de fronteira e à necessidade de melhorar a utilização dos instrumentos e recursos disponíveis para o setor.


Nesse ponto, a candidata direcionou críticas à gestão estadual e defendeu maior capacidade de planejamento e execução. Ao falar sobre episódios de violência relacionados a facções criminosas, Luciana afirmou que o estado precisa de respostas mais estruturadas e presença efetiva do poder público.


A entrevista também permitiu que a candidata voltasse ao perfil que pretende imprimir à campanha. Luciana disse que quer conversar diretamente com o eleitor e apresentar suas propostas a partir da própria trajetória, sem construir uma imagem distante da realidade que afirma ter acompanhado durante a vida profissional.


Ao se despedir, resumiu essa proposta de comunicação ao dizer que deseja aparecer diante do eleitor como efetivamente é: uma mulher que esteve nos movimentos, nas reportagens, nas mobilizações e nas cobranças dirigidas ao poder público.


“Meu programa não vai ter videoclipe com película de cinema, com atores contratados. Sou eu falando com vocês, falando abertamente, pedindo o voto”, declarou no encerramento.


Ao longo da sabatina conduzida por Cícero Moura, Luciana procurou apresentar sua candidatura como uma combinação entre experiência jornalística, atuação em movimentos sociais, proximidade com o governo Lula e disposição para utilizar o Senado como espaço de articulação política. A candidata relacionou o mandato que pretende exercer à defesa de trabalhadores e mulheres, ao fortalecimento da produção de Rondônia, à abertura de mercados, à industrialização, à incorporação de tecnologia e à construção de políticas públicas capazes de chegar aos diferentes municípios do estado.


A relação com o governo federal também apareceu como elemento de sua proposta para o Senado. Luciana defendeu que a representação de Rondônia em Brasília utilize a interlocução política para ampliar investimentos, consolidar políticas sociais e abrir novas oportunidades econômicas para o estado.


Lula é candidato à reeleição à Presidência da República com o número 13; Expedito Netto, candidato ao Governo de Rondônia com o número 13; e Luciana Oliveira, candidata ao Senado Federal com o número 133.