A Lei da Ficha Limpa é para valer ou, como sempre se disse no Brasil, não pegou? É o que está em jogo em torno de cerca de 14 mil candidatos a prefeito e vereador impugnados em primeira e segunda instâncias em todo o País.  Parte deles está batendo às portas do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, em busca do atendimento de recursos contra a impugnação de suas candidaturas pelos TREs de seus Estados. Mesmo subjudice, porém, todos eles continuam concorrendo como se nada estivesse acontecendo, aparecendo nos horários políticos na tevê, fazendo panfletagens e criando expectativas em seus eleitores. Com seus discursos e posicionamentos, influem diretamente nas disputas eleitorais das quais participam, reorientando, muitas vezes, as estratégias dos adversários. Isso é justo?
"A insegurança é sempre prejudicial para a democracia, para os eleitores e para os candidatos", reconhece a vice-procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau, em declaração publicada nesta quarta- feira 5 pelo jornal O Globo. Ela está certa. Na prática, os candidatos que hoje são Fichas Sujas, como, no Estado do Rio, a prefeita de Campos Rosinha Garotinho (FOTO), acabam se beneficiando da lentidão da Justiça – e jogarão, em caso de não terem seus recursos julgados até o dia da eleição, com o fato político consumado para, também como diz o povo, 'virar a mesa'.
O TSE, enquanto isso, aparenta estar em apuros diante da longa fila de candidatos impugnados pela Lei da Ficha Limpa e outras regras eleitorais. Dos 14 mil candidatos nessas situações, apenas 1,3 mil apresentaram formalmente seus recursos, o que não significa terem sido julgados. Outros 3,2 mil tentam fazer o mesmo, mas seus papéis ainda não chegaram oficialmente à Brasília. Pelo visto, entre os 14 mil em situação de impugnação, nem todos irão tentar passar pelo funil do TSE, jogando no famoso 'deixa estar para ver como é que fica', após a contagem dos votos. Desse ângulo, a Lei da Ficha Limpa não parece com o avanço democrático que se anunciava.
Em Vilhena, o ex-prefeito Melki Donadon (PTB) é um dos que estão nessa situação. Com condenações colegiadas, ele mantém a campanha em dia e já disse textualmente que um julgamento definitivo de seu caso “é briga para 20 anos”.