“Meu primeiro marido não queria que a mãe biológica reencontrasse o filho, mas eu penso diferente”
 
Por telefone, o FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou a dona-de-casa Maria Rita Inácio Ferreira, após uma postagem comovente dela no Facebook, falando sobre a adoção de um menino na cidade de Cerejeiras, 34 anos atrás.
 
Num gesto de grandeza e empatia, Maria Rita, hoje com 57 anos e morando na cidade de Juína (MT), a 240 km de Vilhena, escreveu o seguinte: “Procuro por Marli em Cerejeiras Rondônia que me confiou para criar seu filho Luiz Paulo eu Maria Rita da casa d carne Cerejeiras q era Sr.Abdias em frente a prefeitura Municipal ñ quero tirar o direito de rever seu filho quem sabe vc procura por ele . visto q tem mais 3 um se chama Sérgio e ia em casa com seu avô p brincar com Ele.Hoje já com 34 anos. Em Juína Mato Grosso. Pai adotivo (Gerson Paulino Lira) mãe adotiva Maria Rita Inácio Ferreira de Carvalho pai Gildasio (biologico)”.
 
A entrevistada contou que, junto com o primeiro marido, era dona de uma casa de carnes em Cerejeiras, quando, naquela manhã de domingo, 09 de agosto, Dia dos Pais um médico que era cliente do estabelecimento chegou e disse: “tem uma mulher lá na Unidade Mista que teve um menino e tá querendo doar”.
 
Como a própria Maria e o esposo queriam, mas não conseguiam ter um filho, naquela mesma noite ela foi lá, conversou com a mulher e saiu com o recém-nascido nos braços. Quando o menino estava com 04 anos, o casal resolveu se mudar para Aripuanã (MT).
 
Dez anos atrás, o primeiro marido da ex-cerejeirense sofreu um infarto e morreu. Algum tempo depois ela foi pedida em casamento pelo atual companheiro, que era (e continua sendo) pastor evangélico em Juína, para onde se mudou, junto com o filho adotivo.
 
Luiz Paulo Ferreira Lira, a criança que mudou a vida de Maria Rita, hoje tem 34 anos, é motorista, solteiro e continua morando com ela e o padrasto.
 
Ao explicar o motivo de deixar a mensagem para a mulher com quem conversou uma única vez na vida, e da qual se lembra apenas do primeiro nome (Marli), a dona-de casa argumentou: “meu primeiro marido não queria que a mãe biológica reencontrasse o filho, mas eu penso diferente. Se fosse eu, claro que ia querer rever o filho que trouxe ao mundo”.
 
Ao finalizar a conversa, a entrevista, que usou fotos atuais dela e do filho, comentou: “se a Marli ler esta reportagem e quiser rever o Luiz Paulo, as portas da minha casa estarão abertas para ela”.