Tido como praticamente derrotado nas eleições deste ano, o governador Confúcio Moura se movimenta e tenta formar um “chapão” para permanecer no cargo. Em entrevista coletiva promovida por lideranças de peso do PMDB, caso do governador Valdir Raupp e Tomás Correia, com participação do senador Acir Gurgacz, do PDT, e surpreendentemente do vereador vilhenense Júnior Donadon, foi anunciada que é bem concreta a perspectiva do PT participar da aliança, que já conta com partidos grandes, caso do PMDB e PDT, além de PTB, PCdoB e até o DEM. Se tal luz no fim do túnel se mantiver acesa a partir de 06 de julho, Confúcio melhora suas perspectivas.
Em conversa por telefone com a FOLHA DO SUL ON LINE, Júnior confirmou a maior parte do que está sendo noticiado, porém outras informações foram negadas. É o caso, por exemplo, da confirmação do deputado federal Anselmo de Jesus (PT) como companheiro de chapa de Confúcio. “Isto até foi dito hoje, mas não partiu de nós, e sim de um repórter”, afirmou. No entanto, Donadon acrescentou que esta nova movimentação no xadrez político do Estado ainda precisa do aval dos partidos, através das convenções. “O que foi dito por Raupp é que o entendimento com o PT avançou muito desde o início da semana, com reuniões e conversas diárias entre dirigentes dos dois partidos”, relatou. Como uma espécie de caleidoscópio, o panorama pode ser alterado a qualquer instante, e só se define por completo na segunda-feira 30, quando encerra o período de convenções.
Esta configuração titânica não foi confirmada por dirigentes do PT no Estado, também entrevistados por telefone. Segundo um deles, o partido avalia três cenários distintos. “Acredito que a maioria dos filiados com direito a voto na convenção deve defender a candidatura própria, com o lançamento do deputado Padre Ton ao governo. Outra corrente pode apoiar o que foi dito na manhã de hoje, em função de forte pressão que vem de Brasília, para que a aliança que tentará manter a presidente Dilma Roussef no comando do país se repita aqui. A minoria segue suposta pretensão pessoal de Padre Ton, que é acompanhar o grupo de Cassol, cuja motivação não tenho conhecimento”, disse a fonte, que não autorizou a divulgação do seu nome, mas integra o diretório estadual petista. O informante também achou “estranho” o PMDB falar em nome do PT, “caso isso tenha mesmo acontecido”.
O cenário que se altera radicalmente caso o que foi anunciado nesta manhã se confirme é a competição nas proporcionais. A eventual união de gigantes pode, por exemplo, ficar com todas as vagas na disputa da bancada federal. Junior Donadon acredita que tal grupo faz, apenas com o PMDB, “quatro ou cinco” deputados federais, o PT pode conquistar de “duas a três vagas”, e o PTB reelege Nilton Capixaba, assim como o PDT eleva possiblidade de emplacar a reeleição de Marcos Rogério. Outro que praticamente garante vitória é o senador Acir Gurgacz, na avaliação dos peemedebistas que o apoiam. Quanto ao Parlamento estadual é difícil fazer as contas, mas o grupo acredita que ficará também com a maioria das cadeiras.
Os eventuais “perdedores” em tal situação seriam, em primeiro lugar, o tucano Expedito Júnior e seus aliados; mas o grupo de Cassol também sofreria estrago retumbante, cujos respingos podem até atingir o prefeito vilhenense Zé Rover. Alas do PSB também seriam prejudicadas, mas Julio Olivar escaparia ileso em função de seu relacionamento pessoal com o governador. Outras legendas também sofreriam perda de espaço no cenário político.
Entre os nomes lançados no Cone Sul para concorrer aos cargos de deputado estadual e federal, os peemedebistas Rosângela Donadon, Júnior Donadon e Ezequiel Neiva elevariam o cacife, assim como o correligionário Amir Lando. A petista Mariley Novaki eventualmente pode crescer e Vilson Moreira, do PDT, também fica mais bem situado. O anunciado Natan Donadon Filho, do PTB, sai perdendo, assim como postulantes do PP, PV, DEM, SDD, e PTdoB que seriam atropelados pelo rolo-compressor dos oponentes.
Mas, como foi afirmado, antes de 30 de junho tudo o que está escrito acima pode ser embaralhado num piscar de olhos -ou numa conversa entre políticos que comandam os partidos, e um cenário bem diferente pode se definir para o pleito.
Autor:
Da redação
Fonte:
FS
Publicado em 25 de Junho de 2014, às 17:20