“Eles sempre falaram que eu era quem tentava atrapalhar o andamento do município, está aí a verdade, ela tarda, mas não falha”
 
O prefeito interino de Vilhena, Ronildo Macedo (Podemos), aponta atraso deliberado da vereadora Clérida Alves (Avante) e do presidente do Câmara Municipal, Samir Ali (Podemos), em pautar um projeto de mais de R$ 2 milhões para iluminação pública.
 
Conforme Macedo, o presidente do Legislativo Municipal não apenas não pautou o projeto quando teve a oportunidade, como ainda ignorou o pedido do Executivo para a convocação de sessão extraordinária para a apreciação da matéria e de outras que também demandavam urgência.
 
O projeto em questão, nº 6.525/2022, trata da abertura de Crédito Adicional Suplementar no valor de R$ 2.100.000,00 para aquisição, pela Semosp, de material elétrico para manutenção da iluminação pública do Município, entrou na Câmara na primeira quinzena de setembro e foi lido, como é de praxe e consta no sítio eletrônico da Casa, na primeira sessão ordinária, o que aconteceu no dia 16 de setembro.
 
Depois de lido, o projeto foi para análise das Comissões Permanentes para então ser pautado para apreciação em plenário. E foi aí que, segundo o prefeito interino, começou o problema. Macedo alega que a vereadora Clérida Alves solicitou ao longo desse tempo diversos esclarecimentos sobre o projeto, e sempre que uma resposta era dada, ela fazia nova solicitação. A última, conforme Macedo, foi na sexta-feira, 14, data que antecedeu a última sessão ordinária do mês de outubro.
 
Ronildo afirma que na reunião das comissões na segunda-feira, 17, a vereadora Clérida já tinha extrapolado o limite de sua prerrogativa e, no entender dele, o Presidente da Câmara não tomou qualquer atitude. “Ela simplesmente disse que iria ignorar porque no tempo que ela teve não teria conseguido ver o projeto. A gente vê que é um conluio do presidente e da vereadora Clérida para que não acontecesse a iluminação das rodovias 364 e 174”, afirmou Macedo, antes de concluir: “Eles sempre falaram que eu era quem tentava atrapalhar o andamento do município, está aí a verdade, ela tarda, mas não falha”.
 
Além das rodovias, o projeto previa a iluminação das duas avenidas marginais à BR-364, Marechal Rondon e Celso Mazutti. “Conseguimos iluminar com o material que já tínhamos a avenida Marechal Rondon e parte da Celso Mazutti. Mas, deixamos de iluminar outras avenidas e ruas da nossa cidade”, lamentou Macedo, afirmando que em três meses de sua administração foram instalados mais de 1.200 pontos de luz na cidade.
 
O prefeito interino enviou ofício ao Legislativo solicitando do presidente da Câmara a convocação de uma sessão extraordinária para a análise do projeto, mas segundo alega, Samir Ali não convocou a sessão extraordinária, como não deu qualquer justificativa.
 
Macedo declarou que a convocação de sessão extraordinária é ato discricionário do Chefe do Poder Executivo, e afirmou que a recusa ou omissão caracteriza invasão de competência e, conseguinte violação ao princípio da separação dos poderes, previsto no art. 2 da CF. “Isso pode até dar cassação do mandato”, pontuou.