“Eles colocam no sistema, mas o atendimento pelo Estado pode demorar meses”
 
Por telefone, uma professora de 51 anos, que passou quase uma semana internada no Hospital Regional de Vilhena com problemas cardíacos, denunciou ao FOLHA DO SUL ON LINE na manhã desta segunda-feira, 05, um problema que afetou não apenas ela, mas também outras pacientes.
 
Segundo a educadora, o médico que a atendeu disse ela precisaria fazer um exame por imagem e um ecocardiograma, e que a unidade de saúde não disponibilizava nenhum dos dois. Assim, ela se viu obrigada a gastar R$ 3.200,00.
 
No caso do Eco, uma clínica particular, que cobra R$ 400,00 pelo procedimento quando o paciente vai até lá, recebeu R$ 700,00, já que precisou se deslocar até o hospital.
 
Uma dona de casa e a dona de 51 anos também precisou mobilizar a família para bancar o exame cardíaco na rede particular. Mesma situação que enfrentou a dona de um salão de beleza, que também teve que pagar no particular o exame da tia de 56 anos, pedido pelo médico. Esta mesma paciente foi transferida para Porto Velho com 99% do coração comprometido, fez um cateterismo, mas morreu menos de uma semana depois.
 
Apesar do desfecho trágico, a esteticista pondera: “vejo muita gente reclamando, mas passamos 18 dias com ela lá, entre Sala Vermelha, UTI, Sala Amarela e enfermeira, e ela foi extremamente bem atendida até pelas pessoas da recepção”
 
A professora foi hoje ao hospital e conversou com a direção, tentando reaver o dinheiro. Como não foi atendida, irá levar o caso ao Ministério Público. Segundo a denunciante, o diretor do HR argumentou que a unidade não tem obrigação de fazer exames, pois isso é atribuição do Estado.
 
“Eles colocam no sistema, mas o atendimento pelo Estado pode demorar meses. Quem precisa do exame com urgência só tem duas opções: pagar ou morrer. Eu não acho justo ficarem falando que milhões estão sendo investidos na Saúde, mas se a gente precisa de um exame, tem que pagar”, desabafou.
 
 
O OUTRO LADO
O site entrou em contato com a assessoria da Santa Casa de Misericórdia de Chavantes, responsável pela gestão do hospital, e relatou as acusações. Até a publicação desta reportagem, a entidade ainda não havia se manifestado sobre o caso.