Velório será nesta quinta-feira, 11 de janeiro, às 18h, na Câmara Municipal de Vereadores
Após o falecimento de Ilário Bodanese, nesta quarta-feira, 10 de janeiro, O FOLHA DO SUL ONLINE fez extenso levantamento sobre a trajetória do pioneiro, empresário, pecuarista e ex-vice-prefeito vilhenense. Participando de momentos históricos do desenvolvimento da cidade, Ilário deixa esposa e filhos, bem como milhares de “órfãos” da Expovil (Exposição Feira Agropecuária, Comercial e Industrial de Vilhena), que marcou época por décadas como maior evento do Sul do Estado.
Nascido em Caçador (SC), em 13 de janeiro de 1949, Ilário completaria 75 anos neste sábado. Neste mesmo dia 13 é comemorada a festa em homenagem ao santo católico Hilário de Poitiers. Coincidentemente, o americano Melvin Jones, fundador do Lions Club International, também nasceu no mesmo dia, dando posteriormente nome à avenida vilhenense que hoje ladeia o bairro Bodanese, que recebeu este nome em homenagem à Ilário e à família.
A primeira profissão do catarina foi a de motorista, através da qual conheceu todo o país. Em 4 de setembro de 1976, aos 27 anos, casou com Suele, com quem permaneceria até o fim de sua vida. Segundo ele, descobriu cidades em vários estados do Brasil que seriam promissoras e decidiu fixar residência em Vilhena, no dia 24 de maio de 1978, quando a cidade tinha menos de 10 mil habitantes e cinco meses de emancipação. Ativo, se envolveu no início das atividades do Clube dos Estados e do CTG (Centro de Tradições Gaúchas).
Logo se tornou conhecido na cidade, abrindo com os irmãos Guerino e Antônio o Açougue Alvorada, que depois passou a ser a Casa de Carnes Bodanese, em atividade até hoje. A fama lhe trouxe reconhecimento político, sendo o vereador mais votado da primeira eleição do município, em 1982, fazendo 390 votos, 100 a mais que o segundo colocado. Foi também presidente da Câmara no mandato de seis anos, o último do tipo, ainda na época militar.
Na vereança participou da criação do Hospital Regional Adamastor Teixeira de Oliveira, em 1984, quando a cidade já tinha 25 mil habitantes, e na inauguração da BR-364 na cidade, em 10 de setembro do mesmo ano. Envolvido com a criação da Aviagro (Associação Vilhenense dos Agropecuaristas), participou também da 1ª Expovil, realizada entre os dias 8 e 16 de setembro de 1984. A festa começou grande com apresentações de artistas renomados como Sidney Magal, Chitãozinho & Xororó, Milionário & José Rico, Sérgio Reis, Nalva Aguiar e outros. O evento se tornaria o maior do sul de Rondônia, tendo dezenas de edições, mobilizando até 30 mil pessoas em seu auge.
Na mesma época também comandava o Frigorífico Rondônia (posterior Frios Rondônia), que vendeu em 1986. Articulou também a instalação da Universidade Federal de Rondônia (Unir), que iniciou atividades no prédio da antiga Prefeitura, em 1988.
Neste mesmo ano foi eleito vice-prefeito junto de Lourivaldo Ruttmann. Ambos receberam 6.598 votos e exerceram o mandato de 1989 a 1992. No último ano iniciou atividades com posto de combustível na empresa Petróleo Bodanese e na mesma década também o Posto Mirian. Em 1992 foi candidato a prefeito recebendo, 2.017 votos, o que lhe rendeu o quarto lugar, com cerca de metade dos votos do vencedor, Ademar Suckel. Presidiu a Aviagro na época também, mantendo a tradição da Expovil.
Dedicando-se à vida de pecuarista e empresário, cresceu na década de 90 na cidade e, em 1999, foi um dos fundadores e primeiro presidente do que se tornaria a maior empresa de Vilhena, a cooperativa de crédito Credisul, posteriormente denominada Sicoob Credisul. Hoje a instituição administra mais de R$ 7 bilhões com uma das cinco maiores carteiras de crédito do sistema com 90 mil cooperados, presença em 37 cidades e mais de 700 colaboradores.
Em 2000 foi candidato a vereador, angariando 442 votos, e, apesar de ter sido mais votado do que três vereadores eleitos, não entrou para o legislativo devido ao quociente eleitoral do partido. Porém, sua influência se manteve, especialmente quando Ivo Cassol foi eleito governador de Rondônia. No mesmo ano, nomeou Ilário como secretário executivo regional do Estado em Vilhena, cargo que exerceu até 2010.
Ao longo da carreira, a família também cresceu, tendo duas filhas, Mirian e Michela, e três netos, Lucas, Ana Gabriella e Andressa.
Já senador, Ivo Cassol fez questão de elogiar Ilário na tribuna do Senado em abril de 2011, citando seu tempo à frente do cargo de secretário regional. “Ilário Bodanese, empresário, comerciante, homem determinado, arrojado, foi vice-prefeito da cidade, foi vereador, trabalhava 24 horas por dia para dar continuidade à dignidade do povo. E não parava. Os diretores dos colégios são testemunhas, a Polícia Militar é testemunha. Atendia todo o Cone Sul. Quando o carro quebrava, imediatamente era consertado e estava pronto para poder atender às ocorrências”, disse.
O pecuarista chegou a ser anunciado como candidato a deputado federal em 2014, mas optou por assumir a 1ª suplência da candidata ao Senado Ivone Cassol, que fez 160 mil votos, ficando em terceiro lugar na disputa da vaga única da época ao Senado. Já em junho de 2016 foi cogitado como candidato a prefeito de Vilhena por Ivo Cassol. “Em Vilhena, temos Ilário Bodanese. Um homem íntegro, de caráter, empresário bem sucedido, pai de família, que, certamente, caso sendo eleito, brigaria pelos interesses do povo vilhenense”, disse Cassol à época.
Foi vice-presidente estadual do PP e também presidente municipal da sigla. Durante o mandato de Cassol no Senado também foi assessor parlamentar de junho de 2015 a novembro de 2018. Mantendo os contatos políticos, admitiu que poderia ser candidato a deputado estadual em 2018, o que acabou não acontecendo. Já em 2022 participou das articulações de Ivo Cassol para ser candidato ao governo do Estado e também foi cogitado como vice-prefeito do então candidato a prefeito Ronildo Macedo, na eleição suplementar, o que também não ocorreu.
Em 2023 participou de projeto sobre a história da cidade com alunos do 3º ano da Escola Estadual de Ensino Integral Marechal Rondon, numa roda de conversa intitulada “Em busca de nossas origens: de onde vem minha família?”, conduzido pela professora Janete Bledow.
Neste mesmo ano, passou a tratar um câncer de fígado e chegou a fazer cirurgia em agosto. A biópsia apontava que estava livre da doença. A piora no quadro envolveu internações na UTI do hospital Bom Jesus e também no Hospital Femina, em Cuiabá (MT). No Mato Grosso o quadro de saúde piorou e, apesar de passar o Natal em família, conversando e bem, não resistiu e veio a óbito nesta quarta-feira, 10, na capital mato-grossense.
A família Bodanese informou que o velório acontecerá na Câmara de Vereadores de Vilhena a partir das 18h de hoje.
A Prefeitura de Vilhena emitiu nota de pesar e anunciou que declarará luto oficial. “A Prefeitura de Vilhena reconhece a importância de Ilário para o município, deixando um legado de compromisso e paixão pelo que fazia. Nossos pensamentos e orações estão com a família Bodanese neste momento de tristeza. Que eles possam encontrar conforto na memória do amor e dedicação que ele compartilhou com tantos”, diz a nota.
O presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Samir Ali, também publicou texto homenageando o pioneiro. “Seu Ilário foi um grande amigo que tive a satisfação de conviver e foi um dos maiores incentivadores para que eu ingressasse na política, demonstrando sempre total confiança no potencial que eu poderia desenvolver, e por isso tenho eterna gratidão e ótimas lembranças deste nosso convívio”, disse.
Há alguns anos, em entrevista ao projeto “Minha Terra, Minha Vida”, do Sicoob Credisul, falou sobre a vida e política. “Eu não tenho ambição de ser candidato, nem de ser o mandante, quero que todos trabalhem direito e o progresso venha. Trabalho na política dessa forma: trocando ideias para melhorar a cidade. Todo mundo deve pensar positivo e as coisas vão ficar cada vez melhor. Quem sofre com as crises políticas no Executivo é a população. Sempre que penso: ‘Agora vou me acomodar e aposentar’, mais o espírito progressista chama. Trabalho o dia e a noite inteira, mexendo com máquina, ajudando coisas no município e na sociedade. É importante e me sinto feliz quando consigo dar conta das tarefas. Pra isso, tem que ter força de vontade, nunca pensar que não somos capazes. Afinal, as crises vão passar”, disse.
Conhecidos e amigos deixaram diversos depoimentos nas redes sociais, lembrando sempre seu ânimo em bom humor, fazendo jus ao significado em latim e grego do nome, que significa alegre, animado ou feliz.
O FOLHA DO SUL, que recebeu Ilário diversas vezes em sua redação e participou ativamente da cobertura da Expovil, chegando a imprimir edições especiais para circular no evento, estende os sentimentos à família neste momento difícil e lamenta conjuntamente a perda.
Fotos
Autor:
Herbert Weil
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 11 de Janeiro de 2024, às 12:58