“Angélica disse lamentar que equívocos como este sirvam de alarde nos meios de comunicação, com fatos que poderiam facilmente ser esclarecidos sem a necessidade de espetacularização”
A Santa Casa de Chavantes se pronunciou sobre a denúncia de que bebês recém-nascidos estariam passando fome na maternidade do Hospital Regional de Vilhena e diz que o que há é um grande equívoco por parte da avó que levou a público uma situação que poderia ser esclarecida dentro da própria unidade (ENTENDA AQUI).
Falando em nome da Santa Casa, a pediatra Angélica Domingues de Oliveira, médica que foi responsável pela conquista da estrutura inicial da Unidade Neo Natal, apaixonada pelo trabalho da maternidade, se disse chocada com a denúncia e fez questão de esclarecer ponto a ponto as questões levantadas pela denunciante.
Quanto aos bebês estarem “passando fome”, Angélica explicou que há um protocolo técnico extremamente eficaz que é seguido rigorosamente dentro da maternidade, que prevê o aleitamento materno exclusivo como fundamental para o bebê, preconizado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, ou seja, a mamãe deve amamentar o filho desde os primeiros dias, porque o leite materno é a mais “rica refeição” que o pequeno pode ter.
Na falta do leite pelo método convencional, o protocolo prevê o aleitamento complementar, feito no lactário com o uso de um pó especial para o recém-nascido, em quantidade que varia de 30 a 60 gramas, a depender das condições clínicas de cada bebê. Mas a pediatra lembra que a cada complementação, a mãe perde a oportunidade de estimular seu filho a buscar a amamentação natural. A médica enfatiza que há casos em que a substituição temporária é necessária porque há situações em que o leite não desce com facilidade, mesmo assim, segundo a pediatra, o estímulo pelo recém-nascido é a melhor maneira de resolver o problema.
Segundo a pediatra, a confusão na informação acontece porque algumas mães acham que o leite complementar deve substituir o leite materno. Isso é um grave equívoco, que pode gerar complicações para o bebê e para a mãe. A especialista explica que a quantidade de leite e o intervalo entre uma amamentação complementar e outra, ocorre de forma a induzir o bebê e a mãe a estimularem a amamentação natural, preconizada pelo Ministério da Saúde como a mais adequada.
Ainda segundo a pediatra, a quantidade de leite dada aos bebês cumpre integralmente seu papel de amamentação complementar, evitando assim que os recém-nascidos façam hipoglicemia nos primeiros dias, o que levaria os bebês a quadros graves. Ela cita que a medida do leite complementar não é sequer dada em muitas maternidades brasileiras e no Hospital Regional é adotada como medida preventiva.
Sobre a denúncia de infecção, a pediatra disse que se trata de outro equívoco e explicou a situação do ponto de vista técnico. Ela disse que muitas gestantes chegam na hora do parto com quadros infecciosos não detectados anteriormente, e na hora do nascimento o bebê acaba sendo infectado. No caso do bebê da denúncia, ela explica que uma infecção adquirida no hospital só ocorreria 48 horas após o nascimento e que os exames do bebê constataram uma infecção em menos de 26 horas após o nascimento. Em muitos casos, a gestante está aparentemente normal na hora do parto, sem plurido, sem vaginose, mas pode haver presença da bactéria estreptococos, por exemplo.
Sobre ter “passado do tempo de nascer”, a profissional explica que o bebê em questão nasceu com 40 semanas e um dia, quando o tempo limite de uma gestação é de 42 semanas, portanto, praticamente duas semanas antes do que seria tido como normal.
Para finalizar, a porta voz da Santa Casa para o caso disse que hoje a maternidade tem uma estrutura muito melhor do que antes e que as pessoas deveriam se informar melhor sobre os procedimentos a fim de evitar desgastes desnecessários, porque, segundo ela, denúncias infundadas como esta “colocam em dúvida um trabalho maravilhoso que vem sendo feito com muita seriedade e profissionalismo por profissionais que amam o que fazem e se doam sem reservas para garantir que bebês e mamães saiam da maternidade, saudáveis e sobretudo, entendendo que apesar de ser pelo SUS, o atendimento na maternidade é sim de excelência, humanizado e demonstra seriedade e respeito com todas as gestantes e seus bebês que por ali passam”.
Angélica disse lamentar que equívocos como este sirvam de alarde nos meios de comunicação, com fatos que poderiam facilmente ser esclarecidos sem a necessidade de espetacularização.
Autor:
Assessoria
Fonte:
Foto: divulgação
Publicado em 14 de Agosto de 2023, às 16:49