Morador da Capital agiria a mando do magistrado que foi preso em Rondônia
Um morador de Cuiabá (MT) é apontado pelo Ministério Público de Rondônia (MP/RO) como um “laranja” do juiz Hedy Carlos Soares, do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO).
Mesmo declarando ter rendimentos de R$ 1 mil, Wevergton Alves da Silva, suposto empresário, teria movimentado mais de R$ 617 mil só no mês de junho de 2022.
O site de notícias rondoniense Blog do Painel publicou parte da denúncia do MP/RO contra o juiz Hedy Carlos Soares, que atua na comarca de Buritis.
O magistrado foi preso na última quarta-feira, 17 no aeroporto de Guarulhos (SP), quando tentava embarcar para os Estados Unidos, onde reside sua família.
Conforme a denúncia, Hedy Carlos Soares usou dois policiais civis do Estado de São Paulo para intimidar o casal Sérgio Santos Beraldo e Andréia de Lima Sinotti. Ele seria um funcionário do juiz e trabalha como gerente de uma propriedade rural do magistrado, que também é pecuarista e investidor de criptomoedas.
No mês de maio de 2022, o magistrado, na companhia dos dois policiais civis que viajaram de São Paulo até Buritis, teriam obrigado o casal a assinar uma procuração dando plenos poderes, inclusive para transferência de bens, ao “empresário” de Cuiabá, Wevergton Alves da Silva, apontado como “laranja” do juiz investigado.
Intimidado e ameaçado pelo magistrado, que cobrava uma suposta dívida de R$ 3 milhões do gerente, o casal não viu outra alternativa a não ser assinar a procuração, além de entregar as chaves de dois carros e um caminhão a Hedy Carlos Soares.
As intimidações fizeram com que a esposa do funcionário, Andréia de Lima Sinotti, procurasse a polícia e registrasse um boletim de ocorrência contra o juiz. Ela também foi orientada a procurar o MP/RO para relatar a extorsão praticada pelo magistrado.
Segundo a denúncia do MP/RO, Hedy Carlos Soares seria o líder de uma organização criminosa que contaria com a ajuda de advogados de Rondônia, além dos policiais civis de São Paulo, na prática de lavagem de dinheiro dos negócios realizados pelo juiz com gado e criptomoedas. O casal, vítima de extorsão, também é suspeito de ser “laranja” do esquema, uma vez que Andréia de Lima Sinotti movimentou R$ 4,2 milhões durante o período em que o marido trabalhou para o magistrado, valor incompatível com os rendimentos do casal.
Uma carta precatória foi expedida pelo TJ/RO ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) informando Wevergton Alves da Silva da proibição de manter contato com os demais denunciados e também com as testemunhas do caso.
A justiça de Rondônia determinou o bloqueio de R$ 4,2 milhões da suposta organização criminosa, além das prisões do juiz, da advogada Bárbara Siqueira Pereira, e dos policiais civis Edson Navarro Miranda e Claudinei Aparecido Ribeiro.
Autor:
Folha Max/Blog do Painel
Fonte:
Foto: Midiajur
Publicado em 23 de Agosto de 2022, às 14:56